24 de fev. de 2014

Toc-toc!


(TOC = transtorno obssessivo compulsivo)
Você não tem idéia do que é viver com esta gente, então eu vou explicar.
Afinal, fui premiada com mãe e filha ‘contempladas’, a síndrome pulou minha geração.
Você entra na cozinha, pega um  queijo na geladeira, faz o seu sanduíche, e quando se vira para guardar o queijo, encontra sua filha esfregando vigorosamente  um produto de limpeza no exato local da porta onde você colocou suas mãos.
Eles lavam e esfregam o fogão ANTES de começar a preparar o jantar, tomam um banho demorado ANTES de ir para a praia, filtram  a água filtrada, e por aí vai.
Voltando de Singapura um dia antes de meu genro, minha filha foi tomar banho e eu lavei a cozinha e o corredor, pois havíamos ficado dez dias for a e havia, é claro, um pouco de poeira. Quando me dou conta, ela aparece com balde, esfregão, sabão, e começa a faxina. Explico que acabei de limpar o chão, e ela me responde:
- Não está bem limpo, com certeza.
Quando acaba, ela entra no banho, chega meu genro  - só ele poderia compreender a Fefe e vice-versa) e fala:
- Vou aproveitar enquanto espero a Fefe sair do banho e dar um trato nesta cozinha imunda – e, enquanto eu me pergunto se ele é míope, lá vem mais água, balde, esfregão, desinfetante…
Eles tem as casas mais limpas do planeta, as mãos mais assépticas da turma, as mesas mais organizadas do escritório, e, deprimidos, ficam sem entender porque são odiados pelos subordinados, e porque aquela promoçao tão perseguida e desejada é sistemáticamente oferecida a outro com menos competência que eles. Afinal, eles é que são capazes de encontrar aquela única teia de aranha pequenina e leve, oculta por uma trave alta no teto, pertinho do canto, onde um insetinho teimoso reconstrói a armadilha que a faxineira azarada  da firma acabou de limpar.
Não tente dialogar com eles. Não tente indicar aquele excelente psiquiatra que você conhece. Eles são perfeitos, e se a medicina atual classifica perfeição como sintoma, é a ciência que está errada e não eles.
Afinal, quem tem TOC não se sente de maneira nenhuma incomodado pelos seus exagerados e bizarros (na opinião dos outros) comportamento. Os outros é que se sentem incomodados com eles.
(ah, sim, eu fui ao psiquiatra; ele riu e me assegurou que eu sou NORMAL e, eles, definitivamente, são casos perdidos.)
Como diz o ditado: ‘os incomodados que se mudem’.

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