14 de ago. de 2018

poesias premiadas

II concurso internacional de poesia - Argentina - tema Anjo - 2018
menção honrosa


A revelação

Um anjo desceu dos céus
em um dia bem comum.
Misturou-se entre as pessoas
com seu jeito calmo e bom.
As horas foram passando.
Os pais saíram de casa.
As crianças foram para a escola.
Em casa só os cachorros e o carteiro, de passagem.
Quando chegou a tardinha,
as crianças retornaram com os seus cansados pais,
para a alegre acolhida do Totó ou do Lulu.
Mas nesse dia, um aroma de rosa, cravo ou jasmim,
ou de outra flor qualquer,
que fosse da preferência do mortal que retornava,
despertou em cada um a nostalgia do lar.
E nesta noite bendita,
todas aquelas pessoas sonharam o mesmo sonho.
A missão esquecida que tinham aqui na Terra.
No dia seguinte acordaram
um bocadinho melhores,
mais gentis no trato,
menos impacientes,
mais generosos,
cuidando melhor uns dos outros,
percebendo, afinal,
que este e o jardim do Éden.
Nós nunca fomos expulsos deste lugar tão bonito.
O trabalho nos dá mérito.
O suor é a alegria do aprendizado diário.
A serpente é a desculpa - talvez licença poética -
com que Deus nos ensinou
o caminho da evolução.
O anjo caído - 
aquele que desceu dos céus -
é a face não compreendida de Deus.

Concurso Literario Internacional Natureza 2017 - 2018
menção honrosa


Crepúsculo no deserto

Cai a tarde. As sombras alongadas
Projetam em direção ao horizonte árido
Silhuetas que imitam tendas aconchegantes
Nessas duas de areia, douradas e ondulantes,
Tão belas, misteriosas, tremulantes.

No olhar do cansado viajante
A noite parece ainda tão distante
E o eco de seus passos ressoa pela eternidade.

O homem sua e sente a fome de quem sabe
Quão preciosa é, no deserto, a hospitalidade.
Ele anseia apear-se por um breve instante,
Encontrar um nômade itinerante
Com quem partilhar a água e a amizade,
À luz das estrelas cintilantes,
No convívio passageiro partilhar histórias
De guerras, glórias e vitórias,
Antes de retomarem, cada um, a sua rota.

No entanto, um brilho prateado e cintilante
Destaca-se no areal escaldante _
Promessa de lagoa refrescante
Rodeada de tamareiras e palmeiras.
Será um oásis? Deve ele seguir avante?

Mantendo o corpo imóvel sobre a montaria
Reflete, aflito, o homem  hesitante.
Cabe-lhe decidir o que descortina adiante.
Se é chegada ao fim sua jornada.
Se a inebriante paisagem é mera miragem.

24 de abr. de 2017

Caçuá Literário : O voto - Sonia Regina Rocha Rodrigues

Caçuá Literário : O voto - Sonia Regina Rocha Rodrigues: O voto     O doutor Rodrigo estava fascinado pelo brinde que ganhara de um laboratório que fabricava vitaminas para crianças.     ...

15 de abr. de 2017

English haicais - I dare it.

A lot of crows
everywhere in town _
rainy afternoon.



Kids ans dogs
having fun in the park _
joyful spring days.


Spring time _
among the lawn
sparkling colours.



Riverside walking _
among leafless trees
thousand little birds.


Cute little flowers
make March special _

cherry blossom.


Despite rainy days
March is beautiful _
cherry blossom.


9 de abr. de 2017

Trovas e poemas variados

Um coração ancorado
na alegria que passou
e do futuro apartado _ 
É a saudade que restou.




Na mesmice de um só tema,

o poeta apaixonado

vai melhorando o poema
de amar, sabendo-se amado.



Fama - senhora exigente,
a prometer e a enganar,

que deixa bem descontente
a quem nela acreditar.



Uma tarde ele me disse,
olhando pela janela:

chove, chove, que mesmice,

ainda bem que a chuva é bela.

Amor, sempre fácil tema
que com mesmice condiz
da rotina faz poema
a pessoa que é feliz.



Faça o favor, meu senhor,
a mesmice da rotina
mantenha longe do amor

e a vida será divina.

Satisfazendo sua meta,
poema atrás de poema,
na mesmice, ama o poeta,
repetindo o mesmo tema.


O marido apaixonado, 
da mesmice faz seu tema.

Há trinta anos casado,

vê na esposa seu poema.


Come logo, sem tardança
pão seco com café quente,
que arroz com ovo é festança
na marmita do servente.



Antonio abre a marmita
engana a fome, contente,

prepara-lhe sempre Anita

arroz com ovo somente.


Terra dos antepassados
para os quais sou brasileiro.

Japão dos campos amados
por meu avô pioneiro.



De terra roxa era a estrada
por onde ia confiante

visitar a namorada

lá na cidade distante.

Noite silenciosa
Cristo na manjedoura
vem dar-nos a boa nova
felicidade vindoura.



Na partida desta vida
quero estar melhor que agora;

foi tão difícil esta lida

que quero logo ir embora.

Foste um belo sonho meu
que a mocidade encantou
que a própria vida escreveu
e de amor alimentou.



Tantas, tantas penitências!
Quanto chorei por te amar!
O resto são reticências...
que hoje quero olvidar.

Se todos somoso irmãos
o egoísmo é bobagem.

Juntemos os corações,
partilhemos a viagem.



O coração fica terno,
a lareira nos aquece,

nas longas noites de inverno

a solidão enriquece.

As montanhas tào branquinhas
tão distantes, tão serenas,

deixam as almas calminhas,
afastam nossos problemas.


Dias de inverno encantado_ 
seixos vamos atirando.

Cantam as pedras no lago,

no gelo reverberando.

Se todos somos iguais
deixe de lado o orgulho
traga amor, bondade, paz,
tire da mente o entulho.



Se todos somos irmãos
deixe de lado o orgulho;
juntemos as nossas mãos
tire da mente o entulho.

Luiz Otávio, dentista
que, esperto, ficou famoso.
Fez trova a perder de vista,
este moço talentoso.



Dentista por profissão,
consertou mais de um sorriso.
Trovador por vocação,
espalhou amor e riso.

O egoísmo é uma criança
que ainda não percebeu
que o outro, na mesma dança
é outra face do "meu".




A lua de inverno
brincando de esconde- esconde

passeia entre as nuvens.



A música e a alma

A música e a alma
juntas contemplam o dia
a música fala à alma
e o coração alivia.



Da música das esferas
falam os gregos antigos.
A música acalma as feras,
confraterniza os amigos.

Somos felizes cantando
vivendo sem nostalgia
passeando, rindo, amando,
a vida é só alegria.



Mãe leitora


A mãe lê as páginas encantadas,
passa a tarde a contar belas histórias

de animais que falam, gnomos, fadas,

heróis aventureiros cobertos de glórias.



As crianças abrem os olhos cheios de espanto.
Só a mãe sabe que no dia a dia

cultivando o riso e afastando o pranto

ela insufla em suas vidas amor e sabedoria.



Ponhamos fim à discórdia
Mariazinha querida
peço-te misericórdia 

sem ti é sem graça a vida.


Com amor, com paciência,
ensinemos as crianças.

Acaba-se a violência

se os jovens têm esperança.

Jogou-me tal sortilégio
por ela me apaixonei
cresci, deixei o colégio
e a nenhuma outra amei.



Quero deixar-te, criança,
um mundo de amor e paz

e não perco a esperança

na humanidade, jamais.


Bem sei que foi privilégio
encontrá-lo em meu jardim.
Joguei-lhe um bom sortilégio
pro nosso amor não ter fim.



Cada dia uma mudança
transforma o solo fecundo.

Eu não perco a esperança

de deixar melhor o mundo.

Plantei em solo fecundo
um punhado de esperança
para melhorar o mundo
e trazer paz sem tardança.




Disciplina e paciência

constroem melhor ser humano,

que abraça, sem violência,

dá amor, não causa dano.

Disciplina e continência
ensinemos às crianças.
Com amor, sem violência,
mostremos que há esperanças.



Primeiro vem a discórdia.
Por tolice briga o irmão,
mas se há misericórdia
reina a paz no coração.

Onde há misericórdia,
paciência e compreensão
vencem qualquer discórdia.
O amor desfaz a tensão.



Paradoxo



Confirma a neurociência
que o melhor é a caridade;
paz, amor e paciência
evoluem a humanidade.



"Seja, pois, bom egoísta;
viva melhor sendo esperto:

siga os passos so altruísta"

_ afirma o sábio desperto.



Seguindo-se o coração
o véu da sapiência desce,

ensina a doce canção

e quem acredita, cresce.

Amor, tesouro precioso _
cultivando, mata o orgulho,
esse germe pernicioso
que é das almas um entulho.



Entardece



Totalmente em paz
caminho à beira do rio.

As águas descem agitadamente.

Eu sigo contra corrente.



Também na vida sou assim:
observo calado

a multidão pulando cachoeira abaixo.



Há muito acordei.
Quis despertar o mundo e falhei.

Vou jogar ao acaso minha semente

e finalmente descansar.


Sigo só,
salmão exausto, valente,
com o objetivo único

de retornar à nascente.




A estátua

Têmis está calada. Ninguém a conhece.
Por isso ela se entristece.
Na Grécia a foram buscar,
somente para adornar
o pórtico do prédio imponente.

Ali queda ela, impotente.
Era Têmis a voz da Terra.A Grécia sucubiu na guerra.
Ah, que agonia, que dia!
Perdeu a Grécia a hegemonia.
Hoje os males da caixa de Pandora
vagam livres pelo mundo afora.

Têmias, a deusa grega abandonada,
é a Justiça por todos desejada.



Primavera canadense

Um urso entrou na cidade.
Na maior tranquilidade
entrou pelos arrabais,
passeou pelos quintais
das belas casas sem muros,
comendo uvas e figos,
deixando as mães em apuros 
e os meninos animados.
"Mãe, é um urso entre tantos..."
O imenso animal, entretanto,
gordo, sonolento, sossegado,
vai embora a passos lentos.
Embrenha-se floresta adentro.
Se neste planeta ha lugar
para um urso passear,
a cidade confundindo
com a mata que vai sumindo
e o povo dá-lhe passagem,
pois ele anima a paisagem
e nem lhe nega o direito
de comer fruta a seu jeito,
julgo, pois, sem mais tardança:
podemos ter esperança.


























31 de jan. de 2017

diplomas variados






janeiro 2017 -3 o lugar - jornal Nippak







8 de jan. de 2017

Haicais diversos

Na noite ventosa, um
baque gelado no braço _
lagartixa foge.

Ribombo na noite _
silenciosamente salto
num acorde estranho.

Tudo se renova_
sinto em minha face
o vento de primavera.

Oportunidade
de ser de novo criança _
aula de haicai.

Chove, chove, chove...
belo quadro impressionista
escorre do vidro.

Faz frio e faz calor _
chuva cai telhado abaixo
bem alegre e forte.

Pingos cantarolma
e alegremente despencam
engolindo o mar.

Chuva de verão
com seu manto acinzentado
escondendo o mar.

Cogumelos frescos
entre as pedras do jardim
nascidos de noite.

O lago transborda
após a chuva noturna _
inda caem pingos.

A manhã na mata
tem tantos sons diferentes!
Só eu estou quieta.!

As nuvens passando
formando novos desenhos...
o azul permanece.

Suspendo a faxina
pois há ninhos de andorinhas
nas vigas do teto.

Na aparência, belos;
criadoutos de mosquitos _
aguapés do lago.

Manhã de verão _
os navios no horizonte
parecem conchinhas.

Enquanto caminho
minha alma se perde a ouvir
a canção do mar.

A garça. na praia,
cata bichinhos na areia.
Por detrás dela, o sol.

Círculo de fogo
iluminando o horizonte _
manhã de verão.

Orvalho. Amanhece. (Na manhã orvalhada)
nas pétalas da camélia
o sol vira estrelas.

No vidro, o convite _
o orvalho da madrugada
é úmida tela.

Criançada alegre
rabiscando com os dedos
o orvalho da noite.

Na manhã de outono
frutas caídas no chão
pincelando aromas.

Calor e alegria _
a luz invade a manhã
mudando o cenário.

Nas ondas revoltas
peixes pulando na noite _  ( a piracema noturna)
rabiscos prateados.


Na manhã de outono
o vento do Polo Sul
junto ao sol dos trópicos.

Nas tardes de outono
as asas-delta bailando _
voar é um sonho.

Nem sol nem areia
só a neblina espessa e branca
ouve o som das vagas.

É junho. Tremendo,
o cachorrinho se esconde
só o focinho à mostra.

Sol de inverno
o seu brilho é tão distante _
longas são as sombras.

Madrugada ainda
e a cigarra entusiasmada
canta, canta, canta...

Dançando, dançando,
cantam as plantas e as árvores
ao vento de inverno.

Revoada de pássaros _
Grafite em fundo cinzento
na manhã de inverno.

Tragédia no morro _
bela aquarela de inverno
chovendo, chovendo...

Garoa de inverno
Tão belamente agitando
o jardim lá fora.

Faz tal calorão
que até o cachorro dorme _
um sono cansado...

Com tal calorão
um sono cansado vem
cansado...cansado...

Navio refletindo
a luz da manhã de inverno.
O mar - silencioso.

Céu após a chuva.
Aquarela desboatada
 na manhã de inverno.

Pássaros seguindo
os passageiros no ônibus
em caminho azul.

Tarde de verão.
Por entre as sombras das árvores
rabinhos e bicos.

Tradição da terra
Tamarindeiro da praça
encanta as crianças.

Crianças e cães
num alegre vai e vem _
início de férias.

É claro! Gerânio
no peitoral da janela_
lar tradicional.

É o clima santista.
Paineiras floridno em março
e calor em julho.

Lombo com maçãs.
Pecado da gula chega
pro almoço de Páscoa.

Família reunida
Tagarelice e alegria
na festa de Páscoa.

Tarde de verão.
Flor amarela caindo
surpreende a menina.

Biquinhos de lacre
a saltitar sobre a relva _
visão musical.

Aroma suave
a orquídea eterniza o belo
ao frescor da estufa.

Orquídeas tão belas
à sombra das altas árvores _
um pássaro canta.

Suave lilás
um cheiro de sabonete _
orquídeas no lar.

Cortado em metades
é convite tentador _
figo saboroso.

Debaixo da acácia
Carro coberto de folhas
de repente - o sol.

Abraço, aconchego _
à beira do mar de inverno
o amor se renova.

Pios e gorjeios lá fora.
cá dentro, uma grande calma_
tarde de inverno.

Tão nítido e azul,
mar de inverno silencioso.
Vazios, céu e praia.

Lá longe, o horizonte.
Um pardal de inverno canta
ao passar por mim.

Manacás florindo
na serra de primavera _

as férias chegando.

Gôsto de aventura
na gelada água da bica _
prazer de viver.

A flor de romã
desabrocha na varanda
saudando a manhã.

Chapéu-de-sol despe
largas folhas na calçada _
meus pés estalam.

Sorri de alegria
a criança ante o presépio _
o melhor presente.

Noite de Natal _
família ao redor da mesa
partilhando afeto.

À sombra da acácia
há um tapete de flores _
meu rico quintal.

M`nhã de setembro _
um trinado solitário
insiste em chamar.

A gelada brisa
desmente a paisagem bela _
incautos tiritam.

Debaixo das árvores
não se pode conversar _
coral de cigarras.

São tantas! Mas tantas
cigarras por toda parte _
até nos lençóis!

No tronco cantante
espalham-se pontos pretos _
cigarras demais!

Canto de cigarras _
o ar parece tremer
e os pássaros calam.

Varrendo a neblina
gaivatos alimantadas _
pescador amigo.

Com peixes no bico
gaivotas sobre o oceano _
comer e voar.

Olho para o alto _
sob o prateado do céu
rolam nuvens negras.

Entardece. Água morna.
a quietude envonve o mundo.
Mar de verão.

Vejo lá no alto o
buquê rosado entre nuvens _
flores de paineira.

Quadro da janela _
tantos verdes diferentes
na manhã de outono.

Milhare de filhotes
na maré de primavera _
também ...borboletas!

Moro na cidade
não se vê jacarandá _
kigo em extinção.

Tudo vai e vem
na maré de primavera _
peixes, siris, folhas...

Meu corpo estremece
na maré de primavera _
ar quente, água fria.

Gritam as crianças:
na maré de primavera
siris e peixinhos.

São tantos pássaros!
Quantos cantos diferentes
fazem a floresta!

Em vôo rasante
pássaros acompanhando
meu barco no mar.

(Nice)
Domingo de sol
e a praia quase deserta _
turista sortudo.

A tarde se espraia
no rio de água verdinha _
que cansaço bom!
(Le Rhône)

Tanta agitação!
fim de ano - noite curta
para tantos planos.

Que cheiro gostos!
Fatias de abacaxi
no lanche da tarde.