8 de jan. de 2017

Haicais diversos

Na noite ventosa, um
baque gelado no braço _
lagartixa foge.

Ribombo na noite _
silenciosamente salto
num acorde estranho.

Tudo se renova_
sinto em minha face
o vento de primavera.

Oportunidade
de ser de novo criança _
aula de haicai.

Chove, chove, chove...
belo quadro impressionista
escorre do vidro.

Faz frio e faz calor _
chuva cai telhado abaixo
bem alegre e forte.

Pingos cantarolma
e alegremente despencam
engolindo o mar.

Chuva de verão
com seu manto acinzentado
escondendo o mar.

Cogumelos frescos
entre as pedras do jardim
nascidos de noite.

O lago transborda
após a chuva noturna _
inda caem pingos.

A manhã na mata
tem tantos sons diferentes!
Só eu estou quieta.!

As nuvens passando
formando novos desenhos...
o azul permanece.

Suspendo a faxina
pois há ninhos de andorinhas
nas vigas do teto.

Na aparência, belos;
criadoutos de mosquitos _
aguapés do lago.

Manhã de verão _
os navios no horizonte
parecem conchinhas.

Enquanto caminho
minha alma se perde a ouvir
a canção do mar.

A garça. na praia,
cata bichinhos na areia.
Por detrás dela, o sol.

Círculo de fogo
iluminando o horizonte _
manhã de verão.

Orvalho. Amanhece. (Na manhã orvalhada)
nas pétalas da camélia
o sol vira estrelas.

No vidro, o convite _
o orvalho da madrugada
é úmida tela.

Criançada alegre
rabiscando com os dedos
o orvalho da noite.

Na manhã de outono
frutas caídas no chão
pincelando aromas.

Calor e alegria _
a luz invade a manhã
mudando o cenário.

Nas ondas revoltas
peixes pulando na noite _  ( a piracema noturna)
rabiscos prateados.


Na manhã de outono
o vento do Polo Sul
junto ao sol dos trópicos.

Nas tardes de outono
as asas-delta bailando _
voar é um sonho.

Nem sol nem areia
só a neblina espessa e branca
ouve o som das vagas.

É junho. Tremendo,
o cachorrinho se esconde
só o focinho à mostra.

Sol de inverno
o seu brilho é tão distante _
longas são as sombras.

Madrugada ainda
e a cigarra entusiasmada
canta, canta, canta...

Dançando, dançando,
cantam as plantas e as árvores
ao vento de inverno.

Revoada de pássaros _
Grafite em fundo cinzento
na manhã de inverno.

Tragédia no morro _
bela aquarela de inverno
chovendo, chovendo...

Garoa de inverno
Tão belamente agitando
o jardim lá fora.

Faz tal calorão
que até o cachorro dorme _
um sono cansado...

Com tal calorão
um sono cansado vem
cansado...cansado...

Navio refletindo
a luz da manhã de inverno.
O mar - silencioso.

Céu após a chuva.
Aquarela desboatada
 na manhã de inverno.

Pássaros seguindo
os passageiros no ônibus
em caminho azul.

Tarde de verão.
Por entre as sombras das árvores
rabinhos e bicos.

Tradição da terra
Tamarindeiro da praça
encanta as crianças.

Crianças e cães
num alegre vai e vem _
início de férias.

É claro! Gerânio
no peitoral da janela_
lar tradicional.

É o clima santista.
Paineiras floridno em março
e calor em julho.

Lombo com maçãs.
Pecado da gula chega
pro almoço de Páscoa.

Família reunida
Tagarelice e alegria
na festa de Páscoa.

Tarde de verão.
Flor amarela caindo
surpreende a menina.

Biquinhos de lacre
a saltitar sobre a relva _
visão musical.

Aroma suave
a orquídea eterniza o belo
ao frescor da estufa.

Orquídeas tão belas
à sombra das altas árvores _
um pássaro canta.

Suave lilás
um cheiro de sabonete _
orquídeas no lar.

Cortado em metades
é convite tentador _
figo saboroso.

Debaixo da acácia
Carro coberto de folhas
de repente - o sol.

Abraço, aconchego _
à beira do mar de inverno
o amor se renova.

Pios e gorjeios lá fora.
cá dentro, uma grande calma_
tarde de inverno.

Tão nítido e azul,
mar de inverno silencioso.
Vazios, céu e praia.

Lá longe, o horizonte.
Um pardal de inverno canta
ao passar por mim.

Manacás florindo
na serra de primavera _

as férias chegando.

Gôsto de aventura
na gelada água da bica _
prazer de viver.

A flor de romã
desabrocha na varanda
saudando a manhã.

Chapéu-de-sol despe
largas folhas na calçada _
meus pés estalam.

Sorri de alegria
a criança ante o presépio _
o melhor presente.

Noite de Natal _
família ao redor da mesa
partilhando afeto.

À sombra da acácia
há um tapete de flores _
meu rico quintal.

M`nhã de setembro _
um trinado solitário
insiste em chamar.

A gelada brisa
desmente a paisagem bela _
incautos tiritam.

Debaixo das árvores
não se pode conversar _
coral de cigarras.

São tantas! Mas tantas
cigarras por toda parte _
até nos lençóis!

No tronco cantante
espalham-se pontos pretos _
cigarras demais!

Canto de cigarras _
o ar parece tremer
e os pássaros calam.

Varrendo a neblina
gaivatos alimantadas _
pescador amigo.

Com peixes no bico
gaivotas sobre o oceano _
comer e voar.

Olho para o alto _
sob o prateado do céu
rolam nuvens negras.

Entardece. Água morna.
a quietude envonve o mundo.
Mar de verão.

Vejo lá no alto o
buquê rosado entre nuvens _
flores de paineira.

Quadro da janela _
tantos verdes diferentes
na manhã de outono.

Milhare de filhotes
na maré de primavera _
também ...borboletas!

Moro na cidade
não se vê jacarandá _
kigo em extinção.

Tudo vai e vem
na maré de primavera _
peixes, siris, folhas...

Meu corpo estremece
na maré de primavera _
ar quente, água fria.

Gritam as crianças:
na maré de primavera
siris e peixinhos.

São tantos pássaros!
Quantos cantos diferentes
fazem a floresta!

Em vôo rasante
pássaros acompanhando
meu barco no mar.

(Nice)
Domingo de sol
e a praia quase deserta _
turista sortudo.

A tarde se espraia
no rio de água verdinha _
que cansaço bom!
(Le Rhône)

Tanta agitação!
fim de ano - noite curta
para tantos planos.

Que cheiro gostos!
Fatias de abacaxi
no lanche da tarde.










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