9 de abr. de 2017

Trovas e poemas variados

Um coração ancorado
na alegria que passou
e do futuro apartado _ 
É a saudade que restou.




Na mesmice de um só tema,

o poeta apaixonado

vai melhorando o poema
de amar, sabendo-se amado.



Fama - senhora exigente,
a prometer e a enganar,

que deixa bem descontente
a quem nela acreditar.



Uma tarde ele me disse,
olhando pela janela:

chove, chove, que mesmice,

ainda bem que a chuva é bela.

Amor, sempre fácil tema
que com mesmice condiz
da rotina faz poema
a pessoa que é feliz.



Faça o favor, meu senhor,
a mesmice da rotina
mantenha longe do amor

e a vida será divina.

Satisfazendo sua meta,
poema atrás de poema,
na mesmice, ama o poeta,
repetindo o mesmo tema.


O marido apaixonado, 
da mesmice faz seu tema.

Há trinta anos casado,

vê na esposa seu poema.


Come logo, sem tardança
pão seco com café quente,
que arroz com ovo é festança
na marmita do servente.



Antonio abre a marmita
engana a fome, contente,

prepara-lhe sempre Anita

arroz com ovo somente.


Terra dos antepassados
para os quais sou brasileiro.

Japão dos campos amados
por meu avô pioneiro.



De terra roxa era a estrada
por onde ia confiante

visitar a namorada

lá na cidade distante.

Noite silenciosa
Cristo na manjedoura
vem dar-nos a boa nova
felicidade vindoura.



Na partida desta vida
quero estar melhor que agora;

foi tão difícil esta lida

que quero logo ir embora.

Foste um belo sonho meu
que a mocidade encantou
que a própria vida escreveu
e de amor alimentou.



Tantas, tantas penitências!
Quanto chorei por te amar!
O resto são reticências...
que hoje quero olvidar.

Se todos somoso irmãos
o egoísmo é bobagem.

Juntemos os corações,
partilhemos a viagem.



O coração fica terno,
a lareira nos aquece,

nas longas noites de inverno

a solidão enriquece.

As montanhas tào branquinhas
tão distantes, tão serenas,

deixam as almas calminhas,
afastam nossos problemas.


Dias de inverno encantado_ 
seixos vamos atirando.

Cantam as pedras no lago,

no gelo reverberando.

Se todos somos iguais
deixe de lado o orgulho
traga amor, bondade, paz,
tire da mente o entulho.



Se todos somos irmãos
deixe de lado o orgulho;
juntemos as nossas mãos
tire da mente o entulho.

Luiz Otávio, dentista
que, esperto, ficou famoso.
Fez trova a perder de vista,
este moço talentoso.



Dentista por profissão,
consertou mais de um sorriso.
Trovador por vocação,
espalhou amor e riso.

O egoísmo é uma criança
que ainda não percebeu
que o outro, na mesma dança
é outra face do "meu".




A lua de inverno
brincando de esconde- esconde

passeia entre as nuvens.



A música e a alma

A música e a alma
juntas contemplam o dia
a música fala à alma
e o coração alivia.



Da música das esferas
falam os gregos antigos.
A música acalma as feras,
confraterniza os amigos.

Somos felizes cantando
vivendo sem nostalgia
passeando, rindo, amando,
a vida é só alegria.



Mãe leitora


A mãe lê as páginas encantadas,
passa a tarde a contar belas histórias

de animais que falam, gnomos, fadas,

heróis aventureiros cobertos de glórias.



As crianças abrem os olhos cheios de espanto.
Só a mãe sabe que no dia a dia

cultivando o riso e afastando o pranto

ela insufla em suas vidas amor e sabedoria.



Ponhamos fim à discórdia
Mariazinha querida
peço-te misericórdia 

sem ti é sem graça a vida.


Com amor, com paciência,
ensinemos as crianças.

Acaba-se a violência

se os jovens têm esperança.

Jogou-me tal sortilégio
por ela me apaixonei
cresci, deixei o colégio
e a nenhuma outra amei.



Quero deixar-te, criança,
um mundo de amor e paz

e não perco a esperança

na humanidade, jamais.


Bem sei que foi privilégio
encontrá-lo em meu jardim.
Joguei-lhe um bom sortilégio
pro nosso amor não ter fim.



Cada dia uma mudança
transforma o solo fecundo.

Eu não perco a esperança

de deixar melhor o mundo.

Plantei em solo fecundo
um punhado de esperança
para melhorar o mundo
e trazer paz sem tardança.




Disciplina e paciência

constroem melhor ser humano,

que abraça, sem violência,

dá amor, não causa dano.

Disciplina e continência
ensinemos às crianças.
Com amor, sem violência,
mostremos que há esperanças.



Primeiro vem a discórdia.
Por tolice briga o irmão,
mas se há misericórdia
reina a paz no coração.

Onde há misericórdia,
paciência e compreensão
vencem qualquer discórdia.
O amor desfaz a tensão.



Paradoxo



Confirma a neurociência
que o melhor é a caridade;
paz, amor e paciência
evoluem a humanidade.



"Seja, pois, bom egoísta;
viva melhor sendo esperto:

siga os passos so altruísta"

_ afirma o sábio desperto.



Seguindo-se o coração
o véu da sapiência desce,

ensina a doce canção

e quem acredita, cresce.

Amor, tesouro precioso _
cultivando, mata o orgulho,
esse germe pernicioso
que é das almas um entulho.



Entardece



Totalmente em paz
caminho à beira do rio.

As águas descem agitadamente.

Eu sigo contra corrente.



Também na vida sou assim:
observo calado

a multidão pulando cachoeira abaixo.



Há muito acordei.
Quis despertar o mundo e falhei.

Vou jogar ao acaso minha semente

e finalmente descansar.


Sigo só,
salmão exausto, valente,
com o objetivo único

de retornar à nascente.




A estátua

Têmis está calada. Ninguém a conhece.
Por isso ela se entristece.
Na Grécia a foram buscar,
somente para adornar
o pórtico do prédio imponente.

Ali queda ela, impotente.
Era Têmis a voz da Terra.A Grécia sucubiu na guerra.
Ah, que agonia, que dia!
Perdeu a Grécia a hegemonia.
Hoje os males da caixa de Pandora
vagam livres pelo mundo afora.

Têmias, a deusa grega abandonada,
é a Justiça por todos desejada.



Primavera canadense

Um urso entrou na cidade.
Na maior tranquilidade
entrou pelos arrabais,
passeou pelos quintais
das belas casas sem muros,
comendo uvas e figos,
deixando as mães em apuros 
e os meninos animados.
"Mãe, é um urso entre tantos..."
O imenso animal, entretanto,
gordo, sonolento, sossegado,
vai embora a passos lentos.
Embrenha-se floresta adentro.
Se neste planeta ha lugar
para um urso passear,
a cidade confundindo
com a mata que vai sumindo
e o povo dá-lhe passagem,
pois ele anima a paisagem
e nem lhe nega o direito
de comer fruta a seu jeito,
julgo, pois, sem mais tardança:
podemos ter esperança.


























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