na alegria que passou
e do futuro apartado _
É a saudade que restou.
Na mesmice de um só tema,
o poeta apaixonado
vai melhorando o poema
de amar, sabendo-se amado.
Fama - senhora exigente,
a prometer e a enganar,
que deixa bem descontente
a quem nela acreditar.
Uma tarde ele me disse,
olhando pela janela:
chove, chove, que mesmice,
ainda bem que a chuva é bela.
Amor, sempre fácil tema
que com mesmice condiz
da rotina faz poema
a pessoa que é feliz.
Faça o favor, meu senhor,
a mesmice da rotina
mantenha longe do amor
e a vida será divina.
Satisfazendo sua meta,
poema atrás de poema,
na mesmice, ama o poeta,
repetindo o mesmo tema.
O marido apaixonado,
da mesmice faz seu tema.
Há trinta anos casado,
vê na esposa seu poema.
Come logo, sem tardança
pão seco com café quente,
que arroz com ovo é festança
na marmita do servente.
Antonio abre a marmita
engana a fome, contente,
prepara-lhe sempre Anita
arroz com ovo somente.
para os quais sou brasileiro.
Japão dos campos amados
por meu avô pioneiro.
De terra roxa era a estrada
por onde ia confiante
visitar a namorada
lá na cidade distante.
Noite silenciosa
Cristo na manjedoura
vem dar-nos a boa nova
felicidade vindoura.
Na partida desta vida
quero estar melhor que agora;
foi tão difícil esta lida
que quero logo ir embora.
Foste um belo sonho meu
que a mocidade encantou
que a própria vida escreveu
e de amor alimentou.
Tantas, tantas penitências!
Quanto chorei por te amar!
O resto são reticências...
que hoje quero olvidar.
Se todos somoso irmãos
o egoísmo é bobagem.
Juntemos os corações,
partilhemos a viagem.
O coração fica terno,
a lareira nos aquece,
nas longas noites de inverno
a solidão enriquece.
As montanhas tào branquinhas
tão distantes, tão serenas,
deixam as almas calminhas,
afastam nossos problemas.
Dias de inverno encantado_
seixos vamos atirando.
Cantam as pedras no lago,
no gelo reverberando.
Se todos somos iguais
deixe de lado o orgulho
traga amor, bondade, paz,
tire da mente o entulho.
Se todos somos irmãos
deixe de lado o orgulho;
juntemos as nossas mãos
tire da mente o entulho.
Luiz Otávio, dentista
que, esperto, ficou famoso.
Fez trova a perder de vista,
este moço talentoso.
Dentista por profissão,
consertou mais de um sorriso.
Trovador por vocação,
espalhou amor e riso.
O egoísmo é uma criança
que ainda não percebeu
que o outro, na mesma dança
é outra face do "meu".
A lua de inverno
brincando de esconde- esconde
passeia entre as nuvens.
A música e a alma
A música e a alma
juntas contemplam o dia
a música fala à alma
e o coração alivia.
Da música das esferas
falam os gregos antigos.
A música acalma as feras,
confraterniza os amigos.
Somos felizes cantando
vivendo sem nostalgia
passeando, rindo, amando,
a vida é só alegria.
Mãe leitora
A mãe lê as páginas encantadas,
passa a tarde a contar belas histórias
de animais que falam, gnomos, fadas,
heróis aventureiros cobertos de glórias.
As crianças abrem os olhos cheios de espanto.
Só a mãe sabe que no dia a dia
cultivando o riso e afastando o pranto
ela insufla em suas vidas amor e sabedoria.
Ponhamos fim à discórdia
Mariazinha querida
peço-te misericórdia
sem ti é sem graça a vida.
Com amor, com paciência,
ensinemos as crianças.
Acaba-se a violência
se os jovens têm esperança.
Jogou-me tal sortilégio
por ela me apaixonei
cresci, deixei o colégio
e a nenhuma outra amei.
Quero deixar-te, criança,
um mundo de amor e paz
e não perco a esperança
na humanidade, jamais.
Bem sei que foi privilégio
encontrá-lo em meu jardim.
Joguei-lhe um bom sortilégio
pro nosso amor não ter fim.
Cada dia uma mudança
transforma o solo fecundo.
Eu não perco a esperança
de deixar melhor o mundo.
Plantei em solo fecundo
um punhado de esperança
para melhorar o mundo
e trazer paz sem tardança.
Disciplina e paciência
constroem melhor ser humano,
que abraça, sem violência,
dá amor, não causa dano.
Disciplina e continência
ensinemos às crianças.
Com amor, sem violência,
mostremos que há esperanças.
Primeiro vem a discórdia.
Por tolice briga o irmão,
mas se há misericórdia
reina a paz no coração.
Onde há misericórdia,
paciência e compreensão
vencem qualquer discórdia.
O amor desfaz a tensão.
Paradoxo
Confirma a neurociência
que o melhor é a caridade;
paz, amor e paciência
evoluem a humanidade.
"Seja, pois, bom egoísta;
viva melhor sendo esperto:
siga os passos so altruísta"
_ afirma o sábio desperto.
Seguindo-se o coração
o véu da sapiência desce,
ensina a doce canção
e quem acredita, cresce.
Amor, tesouro precioso _
cultivando, mata o orgulho,
esse germe pernicioso
que é das almas um entulho.
Entardece
Totalmente em paz
caminho à beira do rio.
As águas descem agitadamente.
Eu sigo contra corrente.
Também na vida sou assim:
observo calado
a multidão pulando cachoeira abaixo.
Há muito acordei.
Quis despertar o mundo e falhei.
Vou jogar ao acaso minha semente
e finalmente descansar.
Sigo só,
salmão exausto, valente,
com o objetivo único
de retornar à nascente.
A estátua
Têmis está calada. Ninguém a conhece.
Por isso ela se entristece.
Na Grécia a foram buscar,
somente para adornar
o pórtico do prédio imponente.
Ali queda ela, impotente.
Era Têmis a voz da Terra.A Grécia sucubiu na guerra.
Ah, que agonia, que dia!
Perdeu a Grécia a hegemonia.
Hoje os males da caixa de Pandora
vagam livres pelo mundo afora.
Têmias, a deusa grega abandonada,
é a Justiça por todos desejada.
Primavera canadense
Um urso entrou na cidade.
Na maior tranquilidade
entrou pelos arrabais,
passeou pelos quintais
das belas casas sem muros,
entrou pelos arrabais,
passeou pelos quintais
das belas casas sem muros,
comendo uvas e figos,
deixando as mães em apuros
e os meninos animados.
"Mãe, é um urso entre tantos..."
O imenso animal, entretanto,
gordo, sonolento, sossegado,
vai embora a passos lentos.
Embrenha-se floresta adentro.
Se neste planeta ha lugar
para um urso passear,
a cidade confundindo
com a mata que vai sumindo
com a mata que vai sumindo
e o povo dá-lhe passagem,
pois ele anima a paisagem
pois ele anima a paisagem
e nem lhe nega o direito
de comer fruta a seu jeito,
julgo, pois, sem mais tardança:
podemos ter esperança.
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