8 de nov. de 2015

HQ - escritas em Bebedouro, SP - última década do século XX


Escrevi várias historinhas em quadrinhos para divertir-me com situações bizarras que vivi em minha vida. Essas primerias começam com o grupo de poetas de Bebedouro. As histórias eram desenhadas a caneta em papel branco e as legendas, batidas à máquina de escrever e depois coladas. Muito artesanal mesmo... A personagem principal foi baseada em uma professora muito elegante, e chama-se Lúcia, um nome que sempre me encantou. Os poetas não ganharam nome porque logo cederam lugar a outro grupo, igualmente anônimo: os cantores.





O camarada real fez algo inusitado: chegou em minha casa em um sábado à noite, enquanto rolava uma festa, e me pediu encarecidamente para dizer para a esposa dele que ele estivera em minha casa. Eu nem perguntei nada, pensando que ele tinha um caso, mas aí ele me explicou, com expressão bem triste, que tinha de ir a um enterro e a esposa não podia saber que ele estivera em um enterro. Não tive coragem de perguntar quem morrera, e ninguém do grupo (a cidade era bem pequena 80 mil habitantes) soube explicar o mistério.

Para complicar, alguns dias depois, ele passou em casa, e depois de ficarmos conversanso um monte, ele me faz esse outro pedido bem estranho.... Só rindo, mesmo, ou fazendo arte..




Havia aquele camarada, considerado o gênio literário da terra, cheio de si, que olhava a todos com ar condescendente, e que um dia me disse, depois de 6 anos de convivência: "veja só, a única pessoa sabe tanto ou mais do que eu sobre literatura nessa terra é uma mulher, você". Tsc tsc tsc...
Bem, esse sujeito não queria nem a pau participar de nosso jornal, e nunca me entregava texto porque "estou sem tempo psicológico para perder meu tempo com esse grupo". Aí eu peguei um texto de 4 ou 5 linhas que a irmã dele me deu e publiquei. Nosso primeiro jornal fez a maior sensação, foi festejado, aí ele vem atrás, com cara de cachorro arrependido, pergunta se eu publiquei alguma coisa dele, aí eu não perdoei: "Veja se gosta do espaço psicológico que eu consegui para você".
Depois disso ele foi um participante ativo de nossos projetos. KKKK




Eu sempre achei estranho, embora de família tradicional, sendo professor, ele insistia em usar umas roupas mambembes e um eterno boné...

Vamos a outra história. Logo no começo do grupo, todo mundo estava louco para conversar, e assuntos bem espinhosos vieram à baila, o grupo correu o risco de se tornar um grupo de terapia sem terapeuta, e uma colega nossa logo acabou com esse viés, colocando pautas nas reuniões e deixando a conversa amarrada na literatura. Salvou o grupo, as amizades e nosso jornal. Se alguns casamentos instáveis sofreram, certamente sofreram fora do grupo e não por causa dele.




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