(Se Deus, em sua
sabedoria, dotou o Homem de um inconsciente, deve ter tido para isto sérias e
incontáveis razões.)
O Papa perdeu a fé!
Acordou certa manhã convencido
de que Jesus era um avatar de Brahma e procurou avidamente pelos livros antigos
do Oriente existentes na biblioteca do Vaticano.
À sua memória vinha a imagem do
Dalai Lama, seu sorriso simples, seu olhar alegre, como o do Papa nunca fora, e
as palavras do Dalai Lama lhe pareciam mais apropriadas, mais verdadeiras que
as suas.
Por outro lado, recentemente,
encontrara-se com os mais sábios rabinos, estudiosos da Torah, e lhe parecia
que eles entendiam melhor que ele, Papa, o Antigo Testamento e o tal Jeovah.
Quanto mais pensava, mais o Papa
se confundia, a ponto de achar que a magnífica pintura da Criação na Capela
Sistina se referia a Zeus a à primeira geração de homens.
O Papa sonhava estar em Mu, em
Atlântida, à beira de um vulcão polinésio, reverenciando estranhos animais em
coloridos totens.
Enfim, parecia ao Papa que
todos os símbolos eram valiosos, e que as religiões pagãs reivindicavam a posse
de sua alma, enquanto as escrituras cristãs empalideciam como falsificações
baratas.
Estamos no reino pagão de
Manon, entre povos que cultuam Pluto e Afrodite, dissera-lhe o sábio
rabino Adin Steinsaltz, em uma conversa
lligeira em que discutiam sobre o Talmude.
Olhando a seu redor, para qualquer país do
mundo, o Papa encontrava os cultos ao corpo, ao sexo, aos prazeres dos
sentidos, aos ritos religiosos apenas aparentes.
Basta calar-se e ouvir o seu coração, pois dentro dele está a Verdade – sussurra-lhe da estante do Vaticano, a biografia de Sidarta Gautama.
E todo aquele ouro, todo aquele luxo do Vaticano, todas aquelas preciosas peças de arte, o que aquilo tinha a ver com o humilde carpinteiro de Nazaré? – gritava-lhe a voz da própria consciência.
Quando olhava para os seus pares, o pontífice via todos os vícios, da vaidade à pedofilia, e, em todos aqueles rostos orgulhosos, como pecado maior, a ignorância. Justamente a ignorância que os budistas afirmavam ser a causa de toda infelicidade neste mundo.
O Papa não queria mais ser ignorante, não queria mais sofrer.
No Vazio de seu coração, o Papa sofria, por entender o que entendia e por não entender o que queria tanto entender.
Basta calar-se e ouvir o seu coração, pois dentro dele está a Verdade – sussurra-lhe da estante do Vaticano, a biografia de Sidarta Gautama.
E todo aquele ouro, todo aquele luxo do Vaticano, todas aquelas preciosas peças de arte, o que aquilo tinha a ver com o humilde carpinteiro de Nazaré? – gritava-lhe a voz da própria consciência.
Quando olhava para os seus pares, o pontífice via todos os vícios, da vaidade à pedofilia, e, em todos aqueles rostos orgulhosos, como pecado maior, a ignorância. Justamente a ignorância que os budistas afirmavam ser a causa de toda infelicidade neste mundo.
O Papa não queria mais ser ignorante, não queria mais sofrer.
No Vazio de seu coração, o Papa sofria, por entender o que entendia e por não entender o que queria tanto entender.
Quanto mais pensava, menos compreendia, e
sentia-se louco.
Um louco que desejava amor, luz, fé.
Um louco que precisava desesperadamente de coerência em suas duas vidas, a interna e a externa.
O Papa descobriu que não era livre. Seus pares, seus ritos, seu país o aprisionavam. A única rota possível era para dentro.
Em seu coração, o Papa procurava Deus.
Deus estava lá, simples, bom, acolhedor, e parecia lhe dizer:
Meu filho, quanta loucura! Eu não escrevi esses livros, não me meti nesses assuntos espinhosos, eu lhe disse tão claramente para que se ocupasse apenas com as coisas de Deus!
O Papa, que já não sabia mais do que se tratavam essas coisas de Deus, ou talvez soubesse por fim, impotente, renunciou.
Um louco que desejava amor, luz, fé.
Um louco que precisava desesperadamente de coerência em suas duas vidas, a interna e a externa.
O Papa descobriu que não era livre. Seus pares, seus ritos, seu país o aprisionavam. A única rota possível era para dentro.
Em seu coração, o Papa procurava Deus.
Deus estava lá, simples, bom, acolhedor, e parecia lhe dizer:
Meu filho, quanta loucura! Eu não escrevi esses livros, não me meti nesses assuntos espinhosos, eu lhe disse tão claramente para que se ocupasse apenas com as coisas de Deus!
O Papa, que já não sabia mais do que se tratavam essas coisas de Deus, ou talvez soubesse por fim, impotente, renunciou.
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