2 de out. de 2013

Um Dia da Minha Vida em 2025




Um maravilhoso dia de sol!
De minha cama, aciono o botão que abre a porta balcão de meu quarto, recebendo os primeiros raios de sol e o espetáculo maravilhoso do dia nascente.
Levanto-me e faço meus exercícios matinais. Como não sou uma pessoa rotineira, vario: um dia taichicuan, outro dia yoga, às vezes abdominais, outras vezes exercícios com pesos, e, quando estou muito feliz, danço.
Meu copo d’água extraída do vapor do ar está sobre a mesinha de cabeceira, para que eu tome minhas vitaminas matinais.
Meu café da manhã é igualmente variado, por isso não programo minhas engenhocas para cozinharem para mim. Pode ser prático, acordar com cheirinho de café quente e torradas pulando da tostadeira, mas eu gosto de preparar minha própria comida ao jeito antigo, cortando o abacate, espremendo o limão, misturando os cereias ao yogurte caseiro que eu mesma faço, ou fazendo um café com leite bem quente e pão com manteiga nos dias frios.
Hoje está quente, então coloco umas laranjas no espremedor automático, que depois se limpará sozinho, e corto pedaços de mamão e banana para uma saladinha de frutas.
O banheiro é um paraíso à parte: mas não me demoro muito em meu banho de banheira matinal, para refrescar e começar o dia com aroma de pêssegos. Se eu quisesse poderia passar horas no banho de imersão com hidromassagem, vapor, pétalas de rosas que caem para um ofurô, secagem automática com ar quente ou frio, e o melhor de tudo é o sistema autolimpante do aposento. O pequeno robô que limpa o sanitário automaticamente e vai substituindo os papéis, os desinfetantes, fechando a tampa, e o espelho inteligente que se desembaça sozinho, são artefatos que me encantam.
Sento-me preguiçosamente na varanda, tomando o sol saudável das primeiras horas matinais, e checo meu computador, que já se posicionou a meu lado, abrindo a tela grande em que gosto de ler.
O computador já está programado para verificar se há alguma mensagem de minha família, que leio sempre em primeiro lugar, mas hoje não há nada além das consultas habituais.
Sou médica, e meus clientes enviam por e-mail suas queixas e respondem a um questionário padrão antes que eu os veja pessoalmente. Também me enviam a foto do dia – pela aparência deles, posso tirar algumas conclusões prévias, a serem confirmadas pessoalmente depois, por exemplo, uma pele acinzentada pode me indicar um distúrbio renal ou um fumante crônico.
Hoje tenho dez consultas novas. Passo a manhã analisando estes dez novos prontuários, estudando hipóteses para eles, colocando as perguntas que precisarei fazer. Em alguns casos, peço exames que serão colhidos pela minha secretária assim que eles cheguem ao consultório, e os resultados estarão a meu dispor, pois hoje podemos teletransportar gotas de sangue e urina ao laboratório e ter o resultado do exame em questão de segundos. 
Os exames de imagem inda são monitorados à distancia, por isso recebo hoje das clinicas o resultado dos exames realizados ontem. Estudo estas imagens, faço meus diagnósticos e por e-mail, convoco os pacientes para nova entrevista comigo – pessoalmente, por exigência do nosso conselho de classe.
Outros profissionais, como advogados e engenheiros, são mais ágeis. Podem enviar seus relatórios a seus clientes e fazer suas reuniões por videoconferência, o que é muito confortável.
No entanto, saúde sempre tem um viés emocional. Seria muito estranho dizer a alguém através de um tela: o senhor tem um câncer...Uma revelação dessa exige o olho no olho, a mão no ombro, o silencio compreensivo durante o choro, um abraço em torno do ombro dos idosos que se encaminham lentamente para fora, enquanto dizemos alguma brincadeira para aliviar o clima tenso do medo.
Assim, pela manhã resolvo os retornos que posso, uma receita simples de vermífugo aqui, um fortificante para anemia ali...também pela internet recebo os honorários, depositados online em minha conta, e já automaticamente mordidos pelo leão do fisco...
Depois de duas horas, faço uma pausa. Verifico a despensa, coloco uma ou outra latinha a mais no pedido que o comp já deixou prontinho para mim, baseado no gasto do mês anterior.
Reservo a faxineira diarista, confirmo horários e datas de entregas e pequenos serviços – a roupa a lavar e passar, que é lavada e passada nos andares especiais do prédio pelas funcionárias do prédio, janelas que são lavadas regularmente, etc
O lixo é automaticamente descartado em buracos especiais existentes em todas as cozinhas e que levam copos, latas, pedaços de papel, diretamente ao subsolo, enquanto o lixo orgânico é triturado na pia, isso não mudou muito, só que este dispositivos são absolutamente seguros hoje em dia.
Finalmente levanto-me e vou trocar de roupa.
O comp se recolhe e se fecha.
Seleciono a tecla SAP da TV e escuto o noticiário da BBC em inglês, depois escuto o jornal local. Seleciono os filmes que me interessam ver ao final do dia, faço minhas aplicações financeiras na bolsa, verifico minha conta bancária, e, se alguém faz aniversário, o comp me pergunta se quero enviar flores, bombons ou algum outro presente.
Eu sou muito jurássico. Gosto de entregar os presentes pessoalmente a meus amigos e parentes. Escrever dedicatórias do próprio punho na contracapa dos livros, este tipo de coisa, que é charmoso e informa ao aniversariante que a gente realmente se importa.
Meus filhos adolescentes preferem que eu deixe uma quantia a disposição no site de compras preferido de cada um, para que eles comprem as roupas e o bolo que quiserem.
Antes de ir ao consultório para as consultas presenciais desta tarde, no entanto, tenho uma aula a dar. Já tenho todas as fotos e textos preparados no computador. Às duas em ponto, ligo a videocâmara e em tempo real, falo a alunos que em sua casa, me escutam atentamente, conversam, trazem dúvidas, tudo bem parecido com o século XXI.
Exceto pela comida, que hoje é totalmente processada, pois os organismos vivos de animais e plantas foram todos extintos; e pelo fato de estarmos todos cercados por uma ogiva antinuclear que limita a sociedade humana aos 500 mil km que restaram do que antigamente, foi um planetinha verde com uma coisa chamada gelo em suas calotas polares.

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