Que diabos eu estava fazendo em uma cerimônia de Yom Kpur?
Minha amiga Clara, para quem estou revisando um livro, me convidou para almoçar com ela, em um dia em que eu não trabalhasse à tarde, para podermos depois, ficar conversando tarde afora... combinamos segunda-feira; eis que ela me liga na sexta perguntando se eu me incomodaria de mudar o almoço de segunda por um jantar no sábado – como para mim era indiferente, aceitei.
O que eu não sabia era que se tratava de uma reuniãoem
família. Comecei a suspeitar quando liguei para confirmar o
endereço e ela me recomenda não comer demais no almoço, pois o cunhado sempre
trazia doces deliciosos para a sobremesa.
Ora, deparo-me com um candelabro e velas, logo à entrada, e ela me diz que já acendeu as velas e fez sua oração, pois não gosta de ir à sinagoga. Em seguida põe-se a me explicar sobre o dia do perdão, sobre o jejum ritual, que é muito severo, jejum de comida e também de água. Moramos em uma cidade muito quente e seca, e ela me conta que a mãe nunca impôs o jejum aos filhos, nem ela ficaria o dia inteiro sem água em um calor como este... mas o marido ficara o dia inteiro sem tomar uma só gota d’água. Fala-me do ritual do Ano Novo judaico, e do final do jejum – o Yom Kpur, onde se celebra em família com comidas apropriadas.
Quase a seguir chegam os restantes dos convidados, que me olham com surpresa e até uma certa hostilidade, quando sou apresentada como uma amiga (presumivelmente católica).
O marido da Clara me dirigiu a palavra três vezes: para dizer boa noite, entre; para perguntar se eu aceitava uma taça de vinho; para despedir-se. A seu favor confirmo ser ele uma pessoa calada, que permaneceu em silencio durante praticamente todo o jantar.
Já o mesmo não posso dizer dos irmãos, filho, sobrinha e cunhada, que tagarelaram o tempo todo entre eles, sobre assuntos de família ou pessoais, e praticamente nem me olharam, com exceção da cunhada, que respondeu a alguns de meus comentários e dirigiu-me algumas perguntas. O filho dela chegou mesmo ao absurdo de, quando levantei-me para pegar a sobremesa, sentar-se em meu lugar – minha bolsa estava pendurada ao encosto da cadeira, e ademais, ele estava de frente para a porta, e eu, de frente para uma parede cheia de quadros, impossível confundir! Atrapalhada, sentei-me no lugar dele.
Minha amiga Clara, para quem estou revisando um livro, me convidou para almoçar com ela, em um dia em que eu não trabalhasse à tarde, para podermos depois, ficar conversando tarde afora... combinamos segunda-feira; eis que ela me liga na sexta perguntando se eu me incomodaria de mudar o almoço de segunda por um jantar no sábado – como para mim era indiferente, aceitei.
O que eu não sabia era que se tratava de uma reunião
Ora, deparo-me com um candelabro e velas, logo à entrada, e ela me diz que já acendeu as velas e fez sua oração, pois não gosta de ir à sinagoga. Em seguida põe-se a me explicar sobre o dia do perdão, sobre o jejum ritual, que é muito severo, jejum de comida e também de água. Moramos em uma cidade muito quente e seca, e ela me conta que a mãe nunca impôs o jejum aos filhos, nem ela ficaria o dia inteiro sem água em um calor como este... mas o marido ficara o dia inteiro sem tomar uma só gota d’água. Fala-me do ritual do Ano Novo judaico, e do final do jejum – o Yom Kpur, onde se celebra em família com comidas apropriadas.
Quase a seguir chegam os restantes dos convidados, que me olham com surpresa e até uma certa hostilidade, quando sou apresentada como uma amiga (presumivelmente católica).
O marido da Clara me dirigiu a palavra três vezes: para dizer boa noite, entre; para perguntar se eu aceitava uma taça de vinho; para despedir-se. A seu favor confirmo ser ele uma pessoa calada, que permaneceu em silencio durante praticamente todo o jantar.
Já o mesmo não posso dizer dos irmãos, filho, sobrinha e cunhada, que tagarelaram o tempo todo entre eles, sobre assuntos de família ou pessoais, e praticamente nem me olharam, com exceção da cunhada, que respondeu a alguns de meus comentários e dirigiu-me algumas perguntas. O filho dela chegou mesmo ao absurdo de, quando levantei-me para pegar a sobremesa, sentar-se em meu lugar – minha bolsa estava pendurada ao encosto da cadeira, e ademais, ele estava de frente para a porta, e eu, de frente para uma parede cheia de quadros, impossível confundir! Atrapalhada, sentei-me no lugar dele.
Minha amiga comportou-se de maneira digna de um personagem
de Woody Allen em tres ocasiões:
na primeira, ela afirmou que eram todos judeus degenerados não iam à sinagoga nem rezavam em casa, mas na hora de comer, estavam sempre a postos, e foi perguntando de um em um: você, por acaso foi à sinogoga hoje?
(duvido que isto tenha angariado para mim, testemunha involuntária, alguma simpatia...)
em outro momento, ela afirma alto e bom som que Jesus havia comido daquele tipo de peixe, Gefilte, pois, sendo todo mundo sabe que Jesus era judeu e participava dos rituais judaicos – neste momento, todos da família abaixaram os olhos e emudederam, foi consgtrangedor.
na primeira, ela afirmou que eram todos judeus degenerados não iam à sinagoga nem rezavam em casa, mas na hora de comer, estavam sempre a postos, e foi perguntando de um em um: você, por acaso foi à sinogoga hoje?
(duvido que isto tenha angariado para mim, testemunha involuntária, alguma simpatia...)
em outro momento, ela afirma alto e bom som que Jesus havia comido daquele tipo de peixe, Gefilte, pois, sendo todo mundo sabe que Jesus era judeu e participava dos rituais judaicos – neste momento, todos da família abaixaram os olhos e emudederam, foi consgtrangedor.
A mais acintosa foi quando ela disse que passava todos os
natais na casa do irmão dissidente que se casara com uma católica, pois, como o
irmão não freqüentava as festas da família, o natal era o dia em que ela tinha
a oportunidade de passar um tempo com ele – só faltou dizer que adorava
panetone, se deleitava no peru e trocava presentes.
Por um momento pensei se esse seria o momento adequado de eu
dizer a eles que eu não era cristã, mas, em seguida, pensei que ao completar e
explicar que eu era budista, a situação ficasse ainda mais complicada, ou vai
que eles pensassem que eu fosse muçulmana...preferi o silêncio.
Ao saírem, me despedi também, pois seria mais seguro sairmos todos juntos – eu havia mesmo pensado em pedir a alguém que me acompanhasse até a esquina, onde estava meu carro, embora ninguém perguntasse se eu estava de carro e onde eu havia estacionado. Chegando ao portão, os homens se afastaram para que as mulheres deles passassem primeiro, mas não me deram o mesmo tratamento cortes, simplesmente saíram na minha frente, inclusivo e filho dela, que estava atrás de mim e praticamente me atropelou, ao correr para me ultrapassar, gritando para o tio que era sábado e nesse dia, os jovens como ele deviam sair e divertir-se. O rapaz seguia o mesmo caminho que eu, pois o carro dele estava na frente do meu, assim, se um assaltante estivesse à espreita na esquina, teria assaltado ele primeiro, mas não aconteceu nada.
Ao saírem, me despedi também, pois seria mais seguro sairmos todos juntos – eu havia mesmo pensado em pedir a alguém que me acompanhasse até a esquina, onde estava meu carro, embora ninguém perguntasse se eu estava de carro e onde eu havia estacionado. Chegando ao portão, os homens se afastaram para que as mulheres deles passassem primeiro, mas não me deram o mesmo tratamento cortes, simplesmente saíram na minha frente, inclusivo e filho dela, que estava atrás de mim e praticamente me atropelou, ao correr para me ultrapassar, gritando para o tio que era sábado e nesse dia, os jovens como ele deviam sair e divertir-se. O rapaz seguia o mesmo caminho que eu, pois o carro dele estava na frente do meu, assim, se um assaltante estivesse à espreita na esquina, teria assaltado ele primeiro, mas não aconteceu nada.
Deus meu, se a minha amiga queria que eu almoçasse com ela
para podermos passar a tarde conversando, sinceramente, eu não entendi a troca!
Shaná Tová. ( siginifica: um bom ano para você)
Shaná Tová. ( siginifica: um bom ano para você)
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