2 de out. de 2013

Nada como um encontro espontâneo e casual




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O fato é que toda vez que a gente se arruma toda, se produz, se perfuma, o sujeito desaparece! – desabafou Helena. –Homem gosta é de mulher desmazelada. Pois outro dia eu saí de manhã pra ir a padaria, com o casaco por cima do pijama, que estava um frio de congelar pingüim, amarrei o cabelo de qualquer jeito na nuca, pois ninguém imagina que vai trombar com o sapo encantado às sete da manhã em plena padaria, e não é que encontro um advogado todo alinhado, de terno e gravata, tomando café no balcão, eu toda envergonhada e o gajo vem puxar papo comigo, me convida para jantar e acabou virando namoro?
O mesmo acontece comigo – confessou Rita – eu quando saio com calcinha nova, combinando com sutiã, não rola nada, nada. Pois quando acho que não vai rolar, enfio qualquer calcinha tipo ‘olá, mamãe’ como no filme da Bridgit Jones, o camarada me arrasta para a cama?
As três amigas riram.
- Acho que nunca via rolar nada comigo, então – exclamou Patrícia. – eu nunca saio de pijama e estou sempre com as calcinhas bonitas, vocês não vão acreditar, mas é trauma de infância, um dia mamãe me disse que a gente nunca devia colocar calcinhas rasgadas ou desfiadas, porque se a gente desse azar de ser atropelada, todo mundo ia ver as nossas calcinhas e seria uma vergonha – riu – como se quem acudisse uma vítima de atropelamento fosse lá se preocupar em olhar as calcinhas. Ou como se fosse lá uma coisa comum a gente ser atropelada por aí.
O fato é que Patrícia estava de olho no dentista do plantão de domingo. Até já dera um cartão do consultório para ele, como quem não quer nada, acrescentando o seu telefone pessoal atrás, mas o moço, até agora, não dera sinal de ter entendido a mensagem.
Logo, logo, Patrícia teve a oportunidade de verificar esta particularidade dos homens – sua predileção pelo que não é arrumado, arranjado, perfeito. Pois ao sair de casa em um dia de verão, foi surpreendida por uma chuvarada destruidora de sandálias rasteirinhas.
A coitada da moça, não bastasse estar sem guarda-chuva, também ficou descalça. E lá estava ela, sem graça, a voltar para casa como um pinto molhado, cabelos escorrendo, rasteirinhas na mão, quando esbarra no dentista. Ele, todo seco, elegante em seus trajes de consultório. Ela bem que tentou passar sem ser notada, mas ele chamou-a pelo nome, e, como se não percebesse o lastimável estado da moça, toca a tagarelar, emendando um assunto no outro, e, por fim, confessando:
- Faz tempo que estou a fim de você, que tal jantarmos esta noite? Você gosta de lagosta?
Pois Patrícia contou esta história para as amigas na praia de domingo:
- Lagosta? Ora essa, eu toda arrumada não ganho nem copo de água, e descalça ganho lagosta? Pois vivam os pés descalços, as rasteirinhas arrebentadas, e desisto de vez de entender os homens !
 

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