4 de jun. de 2010

conto - O susto

- Mãos ao alto! É um assalto !
Manoel largou o molho de chaves no chão e rezou em silêncio : “ Jesus, deixe - me vivo”
Escutou então o riso bem conhecido de José.
- Primeiro de abril !
Manoel abria o bar às cinco da manhã; José, a banca de jornais. Trabalhavam na praça central da cidade, próximo ao porto. Zona perigosa, por onde não era incomum transitarem meliantes e arruaceiros.
Algumas madrugadas depois, Manoel abria a porta do bar quando um objeto duro e pontiagudo encostou em suas costelas e uma voz rouca sussurrou :
- Quieto !
Manoel começou a transpirar. No dia anterior, a pastelaria fora assaltada e de quebra, haviam levado a perua do chinês.
- O, Manoel, sou eu.
De novo o José.
Aquela brincadeira começou a tornar - se um hábito, substituindo o tradicional bom dia. Manoel chegava, José vinha por trás e o cutucava com o indicador :
- Passa a grana.
- Melô, irmão. Tô duro.
E cada um ia para o seu lado, tratar da vida.
Manoel, então, teve a idéia de, por sua vez, assustar o amigo. Matriculou - se em uma academias de judô e começou a treinar em segredo. Pensava : “Quero só ver a cara do José, quando eu o pegar de jeito”.
Passou - se um tempo e Manoel achou - se em condições de praticar na rua os golpes aprendidos na academia.
“ Esta semana o José vai - se haver comigo. ”.
E, em uma fria madrugada, dirigia - se Manoel para o bar quando sentiu um cutucão nas costas e ouviu um vozeirão que dizia :
- É um assalto.
Manoel agarrou o punho do outro por trás, agachou - se e fe - lo voar por sobre o ombro e estatelar -se de costas no chão. Satisfeito, pos- se a rir e exclamou :
- Te peguei, seu...
Emudeceu. À sua frente, um homenzarrão de aspecto feroz e revólver em punho, levantou - se e fugiu.

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