Conheces a história de Ahasverus, o judeu
errante que recusou carregar a cruz
de Cristo? Errante assim também sinto-me eu
trilhando um caminho que a nada conduz,
suspirando por um beijo teu.
Ah! Meu amado! Depois que tu partiste
Levando contigo meu sorriso e meu canto
O mundo escureceu, tudo ficou tão triste...
O luar perdeu o brilho e as flores o encanto.
Consola-me a chuva a confundir meu pranto
Com seus pingos frios, e com seu lamento insano
Passo pela vida como Ahasverus, tão só,
Sentindo que a morte é preferível ao pó
Da estrada deserta onde debalde clamo
Por um carinho, um pouco de calor humano.
Meu pobre coração frágil não é tão forte
Que se conforme assim com tão ingrata sorte
Quando foi, meu Deus, que eu a teu filho neguei,
Como Ahasverus, um amparo na cruz? – não sei!
Só sei que sofro, Senhor – grande é minha dor
O coração humano pede companhia
Sem outro alguém a vida é pura nostalgia
Desejo, quero o amor com que sonhei um dia
Seca meu pranto, meu Pai – ouve meu clamor.
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