Matrioska é uma boneca russa de madeira, pintada em cores vivas, que se abre revelando em seu interior outra boneca e assim sucessivamente.
Ganhei uma de presente e a coloquei sobre o móvel da sala, as dez rechonchudas bonequinhas sorrindo em ordem de tamanho, a maior à frente. À noite, a menor à frente.
Na manhã seguinte, elas se despediram de mim em círculo; quando voltei para o almoço elas dançaram em cinco pares desencontrados. Recolheram-se para dormir em fila dupla.
Nunca param. Parece infindável as combinações possíveis com as dez bonecas em duplas, trios, quartetos, em seqüência ou aleatoriamente.
Os russos devem usar a matrioska como terapia familiar caseira, eu presumo. São dez irmãs ou mãe e filhas, amigas, ancestrais, você decide.
Meus dedos automaticamente movem esta ou aquela bonequinha ao passar por perto. E fico com uma sensação de que acabei de consertar algo importante e ‘agora, sim, agora está certo.’
Por incrível que pareça meus filhos passam indiferentes pelas bonequinhas. Eu é que não consigo parar de mexer nelas.
Hoje deixei-as em volta da vela e sete dias, pedindo prosperidade, dinheiro não preciso, não, pode trocar por terra, casas, jóias, passagens aéreas, estadias completas e coisas boas assim.
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