4 de jun. de 2010

crônica - Síndrome do pânico

É o que sente o náufrago vendo passar ao largo o navio enquanto em suas carnes se encravam os dentes do tubarão.
É assim com ser torturado pela Tribunal da Inquisição.
É quando procuras por teu anjo da guarda e te deparas com os guardiões do Umbral.
É o que faz um não cristão entrar em uma igreja e apelar para Santa Rita dos Impossíveis.
Tu te sentes como um cristal estraçalhado e ouves à tua volta: “és forte; agüentas”.
Tu és um sobrevivente e sofres como um índio aprisionado, um guerreiro ferido, um cavalheiro desonrado.
Deixa de lado todo aquele jargão psiquiátrico que não consola a tua dor profunda.
Vivemos em uma sociedade bárbara, em que atingem o poder e o sucesso aqueles que usam sem escrúpulos da maior violência.
Sossega, nada há de errado contigo.
Se não és um alienado, como não entrar em pânico?

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