Ângela é uma dessas pessoas que suavizam o cotidiano.
Imobilizada em seu colete de gesso, em sua cadeira de convalescente, ela comenta comigo:
Vou escrever ‘As crônicas da janela’. Porque fico olhando para fora, à noite, vendo as estrelas. Aprecio o nascer do sol, as pessoas inaugurando as manhãs. Observo os hábitos de cada vizinho em seu quintal. Cada coisa interessante... Que paz!
Só mesmo a Ângela!
Com um ar de felicidade, minha amiga me comunicar que quebrara os dois punhos e algumas vértebras com estas palavras:
Finalmente vou conseguir descansar. Sento-me aqui, rodeada de almofadas e mordomias: lanchinhos, suquinhos com canudinhos, revistas, filmes, e o dia inteirinho só para mim!
A família ao redor sorri, toda solicitude e carinho.
Pois minha amiga caiu após outra hora extra imposta pelo seu chefe, em um dia em que estava sobrecarregada de serviço, com seu pedido de férias no verão indeferido por necessidade de serviço sendo que há oito anos estamos sem aumento de salário:
Como não? - protesta ela – lembre-se: o ano passado, o governo nos concedeu 0,01% de reajuste.
Ah! Como rimos! Como não rir na presença de Ângela? A alegre, bem humorada, otimista companheira!
A presença dela é um bálsamo refrescante em nosso sofrimento mal contido.
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