Mulher-bomba, impludo. O terrorista número um sou eu. Morte a mim!
Enquanto meus amigos se horrorizam com as cenas da guerra, eu me calo, escondendo meu secreto desejo de morte e ataque, que me fez gritar ‘Bem feito!’ no primeiro segundo em que vi as torres gêmeas do World Trade Center desabaram. Verdade que no segundo segundo eu me dei conta de que lá estavam pessoas comuns, mas afirmo que eu dançaria de alegria se lá estivessem apenas Bush e seus falcões.
Passo pela vida conservando a capacidade de indignar-me contra a opressão, o desrespeito, a maldade.
O mundo é maya, ilusão.
Vaidade das vaidades! Cristo aconselha a perdoar os inimigos. Buda pregava a compaixão. E eu?
Eu fervo do mais ardente desejo de carnificina e sangue. Quero Washington em chamas. Mahatman em ruínas. Generais americanos condenados ao fuzilamento como criminosos de guerra.
Ai de mim, impotente sou! Ai de mim, que só posso criar um mundo melhor através de meu exemplo. E que exemplo?!
Preciso destruir o inimigo numero um, já!
E ouço Nietzche: ‘procuravas o teu pior inimigo e encontraste a ti mesmo...’
Narciso, olho meu reflexo.
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