João, jardineiro da psiquiatra Teresa, precisava de um tratamento para sua esposa, um que funcionasse rápido. Ele, então, perguntou para a patroa:
Esse tratamento aí da senhora é rápido mesmo, é? Se for, a doutora vai tratar da minha esposa.
Uai – Teresa era mineira – você não se casou a semana passada, João?
Pois é, e até agora, nada, que a mulher é muito envergonhada. Só deixa beijar na boca.
Ora, nas mãos da Dra. Teresa, a terapia breve era um sucesso total. Funcionava até nos descontentes, como acontecera no caso da Dra. Ana.
A terapia começava com uma indução hipnótica para colocar os corpos em estado de relaxamento e tornar as mentes mais receptivas.
Na primeira sessão, Teresa coletava dados , no intuito de fazer o paciente perder o medo desta tal de hipnose, introduzia a técnica através de um exercício básico de imaginação em que o azul do céu sobre o mar azul, o vaivém das ondas azuis relasadamente iam re la xan dooooooo (a cidade ficava à beira mar por isso este exercício era bem entendido e aceito pelas pessoas, algumas das quais eté dormiam e todas, sem exceção, perdiam o medo desta tal de hipnose – então é só isso? Esta sensação pra lá de gostosa?)
A terapia propriamente dita acontecia na segunda e terceira sessões, na maioria das vezes através de uma historia que a psiquiatra criava sob encomenda para o paciente.
O caso da Dra. Ana foi ao mesmo tempo divertido e embaraçoso para Teresa, pois ambas trabalhavam na mesma clínica e Ana saiu do consultório da colega aos gritos:
Que palhaçada! Eu perdendo tempo para ouvir historias sobre lagartas gordas gulosas com inveja de borboletas vermelhas a valsar no jardim! Francamente! Que terapia ridícula!
Ora, em uma semana, Ana emagreceu quaro quilos e invadiu o consultório de Teresa vestida de vermelho:
Quer saber? Não sei o que você fez comigo, mas eu tive de comprar este vestido vermelho, e toda vez que olho para o meu prato vejo lagartas gordas. Hoje fiz matricula em um curso de dança porque estou doida de vontade de dançar. Pronto! Emagreci e estou de vestido vermelho. Você está contente, agora?
Bem, eu ficarei contente quando você parar de dizer por aí que eu sou uma fraude.
A Dra. Teresa é um sucesso! – gritou a colega para fora da sala, o que fez clientes e funcionários rirem.
Bom, o caso é que Teresa falou ao jardineiro para trazer a esposa, marcou a primeira sessão para o dia seguinte, quando explicou em palavras simples o que esperar da técnica, e arrematou com a sugestão de que com jeitinho e com carinho tudo se resolve em um casamento, o que deixou a Mariazinha risonha e o Joãozinho de cenho franzido.
Ao final da primeira consulta, o João perguntou:
E aí, doutora, quanto tempo vai demorar para a gente conseguir começar este casamento?
Bem rápido, aí umas duas ou três semanas.
No dia seguinte, apesar de João assobiar alegremente durante o trabalho, Maria não veio para a sessão.
Cadê a Maria, João?
Ah, doutora, não leve a mal, não, é que esta tal de terapia breve estava muito da demorada. Eu ontem dei dois tabefes bem dados na cara da Maria, falei ou faz o que eu mando ou apanha, e resolvi meu problema.
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