Pelas frestas da janela infiltravam-se os primeiros raios de sol.
Para além das cobertas em desalinho sobre o leito, as portas abertas do guarda-roupa revelavam prateleiras e gavetas vazias.
Da cozinha, o aroma do café espalhava-se pelos corredores e invadia o quarto.
O ar permanecia frio.
Por sobre a copa, o arranjo de margaridas amarelas quebrava a monotonia da louça cor de terracota. Potes de geléia e mel rodeavam o prato de bolo.
Nenhum outro som além daquele provocado pelos talheres e pela xícara ao roçar o pires.
Sequer uma palavra.
Sequer um olhar.
Migalhas caíram lentamente na lixeira e um jorro abundante da água cristalina escorreu pela pia.
O perfume dos laranjais em flor penetrou pela porta aberta.
A grande mala de couro acomodou-se no porta-malas do carro.
O claque da porta ao fechar-se.
O ruído do motor a afastar-se.
No cinzeiro da sala, um objeto metálico brilhava. Uma aliança.
Lágrimas deslizaram e pingaram sobre mãos vazias.
Depois... o silêncio.
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