..aumenta um ponto.
Resta saber qual ponto.
Há os que acrescentam ao fato narrado um ponto de interrogação. Tudo questionam. Transformam o ca-so mais banal em verdadeiro tratado de especulação metafísica.
Outros preferem um ponto de exclamação. Ingê-nuos, admiram-se com o óbvio. Escandalizados, dramatizam o cotidiano e preparam o palco para a tragédia.
Os indecisos, ao final do relato não se contentam com um, querem logo três pontos, e perdem-se nas divagações... nas recordações... nas insinuações das entrelinhas.
Os lógicos, os práticos, querem saber apenas qual é o ponto central da questão.
Os contestadores procuram o ponto de divergência.
E há os lacônicos. Ponto final.
Incorrigível tagarela, eu pertenço à classe dos que, ao contar um conto, aumentam dois.
Dois pontos, parágrafo, aspas e "era uma vez" uma outra história.
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