4 de jun. de 2010

crônica - Reflexos na vidraça

Hoje pela manhã, estava eu a limpar as minhas vidraças quando vi uma estranha imagem no vidro.
Lembrei-me de imediato das últimas notícias que chegaram esta manhã de Ferraz de Vasconcelos. Um senhor olhou pela janela e viu nela estampada nada mais nada menos que... um elefante! Lembrou-se então do deus-elefante Ganesha, que de certo usava deste artifício para convidar os brasileiros a se converterem ao hinduísmo. O bispo, ao ser interrogado, respondeu cautelosamente que aparições e milagres não são exclusivos da igreja católica, podendo o Altíssimo manifestar-se a qualquer povo da maneira que lhe for mais conveniente, e colocou à disposição a equipe de especialistas que está examinando a imagem de Nossas Senhora, para também estudar a questão do elefante. O Padre Quevedo nem se dignou a examinar esta imagem, que para ele tudo naõ passa de uma mistura de desinfetante com excesso de imaginação. Ocorre que na casa em frente, um árabe encontrou no vidro de sua porta a imagem de um homem de turbante montado em um camelo e jura pelo Alcorão tratar-se do profeta Mohamed. Em São Miguel Paulista, um estudante de Història encontrou espantado a figura de Dionísio, taça em uma mão e um cacho de uvas na outra, rindo para ele do vidro do espelho do banheiro. O rapaz pergunta-se se os deuses do Olimpo estão querendo retornar à Terra.
Quanto à imagem em minha janela, não chamarei a rede Globo nem os repórteres de A Tribuna, pois reconheci de imediato a máscara de Luke, o deus viking das brincadeiras e das trapaças.

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