Apelido pega. E uma vez pego, gruda para nunca mais. É gozação garantida para a vida toda, a acompanhar o pobre sujeito até a morte.
Não há escola, bairro ou clube que não tenha o seu Alemão, o seu Japa ou o seu Turco.
Apelido é uma praga!
Mas cidade para gostar de apelido igual àquela, eu nunca vi.
Nanquim Nakara era o nissei que nascera com uma mancha de nascença no rosto.
O aposentado que passava as tardes na praça, a acompanhar os conhecidos à farmácia ou ao banco, era o Ferry-boat.
Salário Mínimo? Era o homem mais baixo da cidade.
Eu precisava passar por lá para encontrar um amigo que me acompanharia em uma excursão de férias. Apostei com ele como não ganharia nenhum apelido.
Lá chegando, dirigi-me ao hotel, telefonei para o meu amigo e subi para um banho e um cochilo, pois ele só chegaria ao final da tarde.
De quando em vez eu espiava pela janela, para observar a paisagem, e assim que aparecia alguém, rapidamente eu me escondia, para que não me botassem nenhum apelido.
Finalmente meu amigo chegou e desci a pedir a conta na portaria. Já ia cantar vitória, quando a voz do funcionário fez-se ouvir, em alto e bom som:
- Saindo a conta do Cuco!
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