Eu ia ao médico e atrasei-me procurando os documentos, pois este doutor que apareceu aqui em Taquaral é todo cheio de esquisitices.
Julguem vocês mesmos.
Assim que chegou, o doutor queria por força descobrir o nome das ruas. Em Taquaral, todos sabemos, há apenas duas ruas: a do Cafezal e a outra. Pois o doutor cismou de saber o nome da outra rua, coisa que até mesmo o prefeito já esqueceu, e ele é o homem mais antigo da região.
Desde o primeiro dia o tal doutor arruma confusões. Criou um caso danado porque o Donato e a patroa não se ‘alembravam’ do nome do neto. O doutor chegou a gritar:
- Como é que fazem para chamar o garoto?
E a velha do Donato explicava com a maior paciência:
- Carece de nome, não. A gente chama assim: ‘ó, menino!’ e ele vem, ué!
O delegado riu-se muito porque o doutor pensou que o menino houvesse sido raptado. Um menino nascido e criado aqui, à vista de toda gente!
Outra confusão que o doutor arranjou foi com o rapaz da venda, quando a mulher dele apareceu lá no Pronto Socorro com convulsões.
- Como é o nome da moça?
- Sei não.
- Como não sabe? Ela mora com você ou não?
- Mora, sim, senhor. É minha mulher.
- E como você conheceu ela?
- Faz aí coisa de uns quinze dias, num forró lá em Taiaçú. Ela me disse que não tinha casa nem família, eu achei ela ajeitadinha e trouxe ela para morar comigo.
- E nem perguntou o nome dela?
- Pra que?
Era de ver-se os olhos do doutor, quase pularam das órbitas! O homem arroxeou, engasgou, pensei que ele ia cair durinho ali mesmo.
Gente boa, o doutor. Para curas e remédios, ele é tiro e queda. Pena que tenha essas esquisitices, essa estranha mania de se preocupar com nomes.
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