O macaquinho estava - coisa excepcional para um macaco - absolutamente imóvel, encolhido junto ao tronco da árvore.
O passarinho distraído pousou a seu lado e zupt - foi imediatamente agarrado e espremido entre as mãozinhas espertas.
O passarinho piou, o que excitou o macaquinho, que pos - se a pular e a agitar as mãos para cima e para baixo, com a vítima presa pelas asas abertas. Socou - a contra os galhos, contra o tronco, esfregou - a, apertou - a, atirou - a para o alto, na maior alegria.
Parando alguns momentos para coçar - se, o macaquinho largou uma das asas. A imobilidade do passarinho o intrigou. Era de ver - se o seu espanto, a tocar agora delicadamente o corpo inerte.
Aí começou a parte realmente interessante do fato. O macaquinho largou a presa e olhou - a, desconfiado. Cheirou - a. Cutucou - a de várias maneiras. Abriu - lhe o bico e espiou lá dentro. Puxou - lhe algumas penas. Deve ter encontrado alguns piolhos, pois pos - se a catar com os dedos alguma coisa muito pequena que levou à boca e mastigou com prazer. A seguir, aos gritinhos, atirou o pássaro para o ar como se brincasse de bola, deu - lhes tapas como a uma peteca, chutou - o e até pulou em cima dele.
A pele da avezinha rompeu - se com tamanho peso.
E aí o nosso macaco começou a dilacerar com cuidado o que restava de pele íntegra e a puxar para fora, com movimentos precisos e delicados, as vísceras, que apalpava e cheirava, olhava de todos os ângulos, lambia e tornava a examinar. Parecia não cansar - se daquilo, entretido com aquele exame como se fora tarefa importante.
Arrancava as penas, as penugens do peito e as maiores do rabo, observando - as uma a uma e colocando - as enfileiradas sobre o tronco.
Aí apareceu outro macaco. Briga na certa.
Que nada! O outro ficou por ali, sossegado, e daí a instantes estavam os dois a tocar, a apertar, a cutucar, a medir, a cheirar, a trocar grunhidos entre si como se conversassem, tão concentrados em suas macaquices que nem se davam conta de estarem sendo, por sua vez, observados.
E eu pensei comigo : estou a contemplar o Simius curiosus, na pré história da espécie que dominará a Terra daqui a alguns milhões de anos, talvez.
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