Uma das maneiras de conhecer a personalidade de uma pessoa é vê-la montar uma casa.
Eu começo pela biblioteca. Vou procurar boas estantes, firmes, de madeira de lei; uma cadeira de balanço confortável e uma escrivaninha.
Já minha irmã começou pela sala, onde colocou uma rede. É, rede, aquilo que os índios usam para dormir dependurados, entortando a coluna e balançando indolentemente. E no cantinho o bar aconchegante, cúmplice, com ampla variedade de licores e a sofisticada coleção de copos, objetos de culto ao sedutor deus pagão.
Minha filha começou a reforma do seu ‘ap’ pelo quarto: cortinas de babados, uma profusão de almofadas, quadros de palhaços e prateleiras com bichos de pelúcia de todos os tamanhos.
Já um vizinho meu, um sujeitinho cuja esposa mudou-se mudou-se num repente sem deixar endereço e levando consigo toda a mobília, bem, este meu vizinho, vejam só, surpreende-me no elevador:
- Vida nova! Comecei hoje a remodelar o meu espaço. Fiz a primeira compra.
- A cama?
- Não! A TV.
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