Os carros de minha infância eram vistoso, com nomes velozes: Impala, Jaguar. Havia o pretensioso Aero-Willis, com rabo de peixe, um luxo!
Passava um carro na rua, a molecada gritava – que, naquela época, a rua era o parque temático da infância. A gente corria à janela para espiar quem era o orgulhoso felizardo que fingia ignorar os olhares cobiçosos das mocinhas namoradeiras.
Saíam da moda os carros compactos com janelas estreitas e bancos inteiriços, ótimos para namorar. Imperavam os fusquinhas. Os remediados se contentavam com os pés-de-boi, sem acessórios, quase que só um banco sobre quatro rodas. Mas rodava!
E o que dizer daquele carrinho achatado com nome de iniciais, o DKV, que escondia o motorista quase rente ao chão? O distraído que se colocasse atrás de um caminhão corria o risco de acabar esmagado, pois ficava literalmente invisível.
Inesquecível o simpático Romiseta, o carro dos egoístas, onde só so apertava um.
Carros, como toda novidade, eram a fascinação do momento.
O formidável é que se estacionava em qualquer canto, o tráfego era livre, não havia pedágios nem flanelinhas nem consórcios. Os manobristas que nos recebiam à porta dos teatros, hotéis e restaurantes exibiam sorriso e uniforme, e a gente se sentia tolamente importante.
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