30 de mai. de 2010

conto - O caso do falecido

Saí para o enterro do meu amigo Alfredo.
Ia meio triste, sabe como é, apesar de não ver o Alfredo há meses, sabia que podia contar com ele. Um companheirão, o Alfredo !
Pois eu estava próximo ao ponto de ônibus quando um vozeirão me chega por detrás:
- Oi, amigão ! Venha de lá um abraço !
Viro - me. Dou de cara com o falecido.
Com o falecido !
Já ouvira muitas estórias de gente que morre e fica vagando por aí sem perceber que morreu. Ainda se eu fosse médium... mas não sou nem espírita, para encarar gente morta assim como se fosse a coisa mais natural deste mundo. Do outro, até que pode ser.Não haveria de ser justo eu a contar para o Alfredo que ele morrera. Eu estava, isso sim, apavorado.
Tentei fugir, mas o morto me seguiu.
- Que quer de mim ? - perguntei.
- Ora essa! Não reconhece mais os amigos, Onofre ? Vamos tomar um café juntos.
Quando ele tocou = me o ombro, confesso sem nenhuma vergonha : desmaiei.
Acordei no hospital, e ao lado do médico, o Alfredo a sorrir - me malicioso. Não agüentei e gritei, fora de mim :
- Vá embora ! Deixe - me em paz !
Para meu espanto, o médico dirigiu - se ao Alfredo :
- Ajude aqui.
- Como, doutor, o senhor também pode ve - lo ?
- Mas está claro que eu posso ve - lo !
- Mas... mas... é um fantasma ! Ele está morto !
- Morto , eu ? - riu - se Alfredo - Não me contaram.
Comecei a ficar com raiva daquele maldito espectro! Ou espírito desencarnado, ou projeção telepática PES ou fosse lá o que fosse aquele fenômeno.
No bolso da camisa eu guardara o recorte do necrológio com a hora do enterro
- Aqui está . Leia.
“Alfredo Silva Santos. Deixa viúva e filhos. O enterro será às 17 hs no Largo da Saudade.”
- Que coisa ! É mesmo o meu nome! - admirou - se o Alfredo.- Só espero que minha esposa não tenha sido avisada senão ela pode pensar que... - pos - se a rir, engasgou - se - .... que .... eu... um fantasma ! Ah! Ah!
Meu medo era tanto que custei a compreender. Tratava - se de um homônimo.

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