- Titia já voltou de viagem ? - perguntei à vovó.
- Já, e você nem imagina o que ela trouxe!
Tentei imaginar o que a tia poderia ter trazido para deixar vovó tão irritada.
Neste momento a porta abriu - se e minha tia surgiu, trazendo pela mão uma garota aí de uns cinco anos.
- Minha sobrinha! Dê cá um abraço! Esta é a Luizinha. Fui levá - la à praia, pois ela nunca vira o mar.
Olhei espantada para aquele toquinho de gente. Nunca vira criança tão magra e tão feia. Quase só ossos, cabelos quebradiços que pareciam palha.
A menina arregalava os olhos para tudo e literalmente devorou as frutas e o leite que vovó serviu no lanche.
A menininha morava no sertão da Bahia, na fazenda aonde a tia fora passar as férias. Chucra de tudo, envergonhada, bobinha. Seus olhos esbugalhavam - se de espanto ao ver os siris à beira - mar. Dava gritos de prazer ao catar conchinhas na areia.
Titia comprou na feira uma dessas bonecas baratinhas, em roupas e com cabelos desenhados no próprio plástico. Às escondidas, fez, com retalhos, roupinhas para a boneca, para presentear Luizinha.
Quando eu encontrei a garota, no outro dia, ela gritou - me, radiante:
- Veja a minha filhinha!
Titia contou - nos, emocionada, que a garotinha apertara a boneca ao peito e adormecera agarrada a ela como se segurasse um tesouro. Sem dúvida, ela nunca pensara que poderia ter uma boneca.
Eu, que possuía tantas bonecas caras, vi a felicidade estampada no olhar da pequena. E percebi as lágrimas que titia escondia, ao segredar - me :
- Custa tão pouco dar alegria a alguém.
Nenhum comentário:
Postar um comentário