Há sete anos com o salário congelado, só tenho a agradecer ao senhor presidente pelas melhorias na minha qualidade de vida.
Vejamos. A princípio, parei de comprar jornais e revistas, passando a ler no Sesc, o que me levou a encontrar com mais freqüência as pessoas amigas.
Aboli a carne do cardápio. Este alimento impuro e tóxico é com vantagem substituído pela soja. Em seguida, o açúcar. Doces, só em festas. Frutas naturais e chá amargo tem a dupla vantagem de preservar os dentes e manter a cintura fina.
O próximo corte foi a gasolina. Acordar uma hora mais cedo para caminhar até o trabalho é um hábito saudável. À tarde, faço uma caminhada maior, enriquecendo minha vida com a poesia do por do sol nos jardins da praia.
Em um momento de jurássica lucidez, dispensei o computador.
Em outubro troquei todas as lâmpadas da casa por um modelo mais econômico. Em janeiro desliguei o freezer – cozinhar legumes ao vapor diariamente ao invés de descongelar tortas e frangos traz a economia adicional de dispensar o micro-ondas.
Agora a insaciável FHC quer ainda mais economia. Desafiante!
Depois de horas de reflexão concluí que só me resta dispensar a TV. Afinal, é a TV ou o banho quente! Uma hora a menos de TV por dia significa trinta horas ao final de um mês.
O duro é que só assisto ao telejornal e se desligar a TV fico sem comunicação com o mundo - quando encostei o carro, o tempo de leitura no Sesc virou caminhada – e não poderei saber quando terminará este benéfico racionamento. Experimentei por uma semana – que benção! Sento-me no escuro em posição de lótus, fico zen e “vou-me embora pra Pasárgada, onde tenho o Homem que quero no país que escolherei.”
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