Culpa de Lobato, que escreveu algo assim: “E Dona Benta falou: ‘a China e a Índia são como duas velhas árvores craquentas, de frutos saborosos e nutritivos...’”
Fiquei curiosa e procurei entre os livros de meu avô, onde achei uns pensamentos de Confúcio e de Lao Tse. Na biblioteca da escola (católica), só mesmo a biografia de Sidarta. Semanas mais tarde, um tio doqueiro trouxe de presente um Buda de marfim, que a família colocou em local de destaque e venerou por muito tempo, não por ser um Buda, sim por ser de marfim.
Por amigos japoneses conheci ikebanas e origamis. Minha paixão pelas culturas do Oriente cresce com o passar dos anos.
Lobato também me introduziu na Mitologia Grega, fascinação antiga.
Um dia, uma freira repreendeu minhas leituras, afirmando que Lobato era comunista, e por sua causa – por causa da freira, não de Lobato – abandonei a religião católica.
Meus pais, que me presentearam com os primeiros livros do Sítio, declaravam não gostar de Lobato. Incongruência? Não. Ciúmes.
Cresci Emília. Ousada, desafiadora, malcriada, sinto indignação ante as injustiças, frustração ante o desenvolvimento econômico e político ausente do país hoje, apesar do nosso petróleo e do nosso ferro.
As idéias de Lobato germinaram nos corações das Tatianas Belinky e das Ruths Rocha desta nossa pátria.
Tanto mérito, tão pouco reconhecimento.
E eu aqui a filosofar... por culpa tua, Lobato!
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