28 de mai. de 2010

crônica - - Profecias

Kali, a deusa negra, dominou durante a Era das Trevas.
O Grande Ditador esgotou os recursos conhecidos no combate ao mal – epidemias, ignorância e crime desorganizado.
Impediu-se a reprodução dos dobermans. Castraram-se os pitbulls. Proibiram o porte e o comércio legal de revólveres e similares. Os contrabandistas exultaram e os criminosos decretaram o monopólio das armas de fogo.
A seguir, facas e tesouras (e qualquer tipo de objeto perfurante ou cortante) foram retirados de circulação. As academias de artes marciais proliferaram e os perigosos assassinos multiplicaram-se em proporção malthusiana.
‘As mãos matam! Que sejam cortadas todas as mãos do reino!’, exigiu o Grande Ditador.
‘Alto lá! Excelência...’, e, invocando seus conhecimentos médicos, o Ministro da Saúde explicou que a agressividade humana localiza-se no cérebro, mais precisamente em uma determinada região do hipotálamo...
Mirando entre os olhos do ministro, o Grande Ditador atirou, e, verificando a exatidão da informação, ordenou:
‘Destruam todos os cérebros da Terra!’
Ao fim da tarde, o Ministro do Planejamento apareceu para comunicar que a ordem fôra cumprida. A onda de violência fôra detida, pois todos os cérebros do planeta...
‘Bang!’ – um tiro certeiro do governante interrompeu-lhe o discurso.
Faltava um...
O último Homo violentus sente frio. Em sua vaidade, compreende que ninguém rezará por sua alma após a morte.
O sol mergulha no oceano.
Indra pisca e recria os deuses e o universo.
Prometeu modela no barro molhado por suas lágrimas a sexta raça humana.
Às portas do Éden, Lúcifer conspira com Gabriel. A serpente foi colocada à porta do inferno e os frutos da árvore da vida distribuídos a todos os habitantes do globo.
Betinho ajuda o chefe Seatle a colocar um cartaz à entrada do paraíso:
“A Terra é sagrada. Somos os guardiões da herança de nossos filhos.”
A nave Interprise traz um recado da Federação: a cláusula da não intervenção nas sociedades primitivas foi reformulada e eles estão de olho em nós!
Como? O que aconteceu?
Desafiado por Jeová, a quem acusou de milenar falta de imaginação, Dias Gomes aparece para escrever o enredo de “Era de Aquário”.

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