31 de mai. de 2010

crônica - Momentos mágicos

Foi uma festa a ida à praia à noite, de maiô, chinelinho, baldinho e pazinha.
Sim, era noite. Uma noite quente de verão, sem lua, o céu coalhado de estrelas e o forte aroma de damas da noite a enfeitiçar.
Minha tia estendeu a esteira de palhinha no passeio, e nós, crianças, atacamos a areia.
Os homens se afastaram, iam jogar futebol. Alguns carros estavam na areia. Naquela época, não havia ainda iluminação, e a luz dos automóveis é que clareava o local do jogo ou do churrasco. Senão, era a noite plena, o rugir do mar nas trevas abaixo do manto de estrelas.
Passou a hora de ir dormir – coisa inusitada – e nós brincando ferozmente, a construir ruas e ruas de casas moldadas nos baldinhos, com portas e janelas desenhadas com as pás e decoradas com conchas.
A tia contou estórias e cantou uma música incrível sobre um grão de areia que se apaixonara por uma estrela.
Quando os homens voltaram, tão ou mais sujos que nós, fomos todos ao mar. Os adultos fizeram uma roda, incluindo nós, crianças, intercaladas entre eles. Bem lá no fundo, além da zona de arrebentação, ouvindo as ondas que estouravam depois de passar por mim, firmemente segura pelos braços, eu flutuava na água escura e morna, oscilando nas marolas.
Quando senti aquela cosia deslizante e dormente em minha perna, que susto, como gritei! Cardumes pulavam à nossa volta, prateados e ariscos, e alguns peixes me tocavam e mordiscavam., fazendo cócegas.
Como rimos, adultos e crianças, saboreando aqueles três gigantes: o mar, o céu, a noite.
Em casa, mais tarde, o banho quente e o sono das pedras. Ainda sonho, como o poeta:
“Eu me lembro! Eu me lembro!
Era pequeno e brincava na praia...”

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