28 de mai. de 2010

conto - Uma aventura

Correu tudo conforme ele planejara.
Em que ruiva deliciosa transformara - se a priminha proibida de outrora !
Ela o encarou perplexa quando ele a conduziu ao quarto de casal.
- Você está louco ! Aqui ?
- E por que não ? Estou sozinho, a família viajando, aqui temos todo o conforto e segurança, está tudo limpinho, não falta nada... De outro lado, meus negócios não vão bem, os hotéis são caros, não devo ficar gastando um dinheiro que não tenho e outro lugar está tão difícil de arrumar...
- Mas aqui... na cama dela ?
- E por que não ? Ela não vai saber...
A ruiva riu ( como o enlouquecia aquele riso rouco !) e deitou -se na cama dela, enrolada nos lençóis dela, no travesseiro dela mas com o pijama dele.
A prima, por quem ele sempre estivera secretamente apaixonado, o atraía como só atraem as coisas proibidas _ muito desejada só por ser proibida e proibida só por um azar biológico.
- Nós somos dois malucos.
- Eu sempre fui louco por você.
Um fim de semana perfeito.
A família retornou na segunda - feira e ele trocou diversas vezes o nome da mulher pelo da prima.
Uma leve indisposição o acometeu após o jantar e ele preferiu dormir no sofá da sala.
A partir de então, toda vez que entrava no quarto de casal ele sentia - se mal. Trocou a cama, mudou o dormitório para o aposento dos fundos ( por causa do barulho da rua ) e cada vez sentia - se pior.
Começou a queixar - se de dores ao urinar, para justificar a falha aos deveres conjugais. Coincidência ou não, algumas semanas mais tarde surgiram - lhe cálculos uretrais.
Um ano e cinco cólicas renais mais tarde, hipertenso, cheio de razões para explicar a impotência, o inevitável divórcio.
Atualmente ele passa as noites nos bares, mergulhado no álcool à procura de ruivas; e à tarde, mergulhando nas almofadas do terapeuta, procura - se nas lembranças.

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