28 de mai. de 2010

crônica - Brincadeirinha

Sueli era uma menina levada que gostava de assustar a avó.
Jogava estalos no caminho por onde ela ia passar, atirava baratas de plástico sobre os seus chinelos.
A avó gritava e derrubava o que trazia nas mãos. Sueli ria.
De outras vezes enchia de ar um saco vazio de papel e, no silêncio da tarde, pé ante pé, aproximava - se por trás da cadeira de balanço e ...Pam ! Com um soco arrebentava o saco. Que formidável estrondo ! Parecia um trovão. E o novelo de lã caía do colo da avó , que perdia os pontos de seu trabalho.
- Moleca endiabrada !
Certa tarde, Sueli chegou de surpresa para visitar a avó. Correu à frente dos pais, pulou o muro e sem nenhum ruído deu a volta à casa.
Encontrou a porta dos fundos aberta e seguiu até o quarto. A avó estava ouvindo no rádio as notícias policiais. E uma idéia formou - se na mente da espevitada guria.
Caprichando para a voz sair grossa e forte, ela socou a porta e gritou :
- É um assalto !
A avó não gritou.
Apenas levou a mão ao peito e caiu dura na ca ma.
Morta.

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