28 de mai. de 2010

crônica - COISAS DO 486

(nas priscas eras da computação)
O comp está apaixonado e cheio de dúvidas !, exclamou minha filha Fernanda, enquanto eu, infeliz, olhava a impressão de meus textos: uma única linha de asteriscos, corações, quadrados, círculos e pontos de interrogação.
No dia anterior o comp não imprimia nada. Eu chamara o técnico, por sorte eu moro bem ao lado da loja. Ele chegara, sentara - se, eu dera os comandos para demonstrar o problema e o engraçadinho funcionou normalmente.
Que raiva!
Lá tive eu que engolir um “às vezes é o usuário que não sabe usar...”
Como se eu não trabalhasse com impressoras há mais de um ano!
No mês anterior eu enviara uma parte do jornal para a redação todo em colagens, porque o idiota se recusara a imprimir a última meia página do tablóide, jogando na tela a mensagem: “O cabo está solto”
Não havia nenhum cabo solto, evidentemente, mas a máquina não se deixava convencer. Quando voltei, Fernanda terminava de compor um trabalho de escola, quinze folhas elaboradamente impressas pelo comp.
Estou absolutamente convicta de que aquela máquina me odeia. Faz de propósito para atrapalhar a minha vida.
Máquina não tem vida ? Ah, tem, sim. Tenho a mais absoluta certeza de que a minha, pelo menos, tem uma personalidade própria.
Pois como explicar que assim que a Fernanda sentou - se em frente ao monitor e solicitou a impressão, o adorável comp imprimiu meus contos direitinho no maior capricho ?

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