Ao folhear um livro de magia Wicca, resolvi enfeitiçar uma colher de pau; uma de cabo longo, ótima para fazer doces e compotas.
Decorei as palavras rituais e, em uma noite de lua cheia, passei a colher nove vezes pelo fogo, sete vezes pela água, soprei-a cinco vezes e com ela atirei três punhados de sal marinho por cima do ombro esquerdo.
Testei a colher diversas vezes – fiz doces de abóbora, de leite, de cenoura, de batata roxa. Todos deliciosos.
Em um dia propício, segundo a astróloga, a taróloga e a numeróloga, convidei a vítima para jantar. O ‘espelho, espelho meu’ refletia um lar perfeito. O corvo empoleirado em meu ombro recitava Poe. Armei o cenário para a captura com flores, velas, fitas e aromas recomendados pelo Feng-Shui. Restava seguir o conselho da vovó: homem se agarra pelo estômago.
Vai daí que não encontrei minha colher de bruxa em lugar algum!
Então reparei em umas letrinhas minúsculas aos pés do encantamento: ‘ a colher de pau torna-se invisível quando seu uso possa resultar em algum malefício...’
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